Aparte
Ministro Luiz Fux evoca Luciano Barreto e ILBJ como exemplos no lançamento de projeto social do Judiciário

Luciano Barreto, Luiz Fux e Cristiano Barreto, em Brasília: em, pauta o altruísmo 

Na última quarta-feira, 25, o empresário sergipano Luciano Barreto, mantenedor da Construtora Celi, presidente da Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas - Aseopp - e do Instituto Luciano Barreto Júnior - ILBJ -, tinha uma audiência particular marcada com o ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Superior. E foi ao gabinete dele, em Brasília.

Ao chegar, Luciano Barreto foi surpreendido com um funcionário do gabinete de Fux que dizia saber tudo sobre a vida dele - que ele era empresário em Sergipe, que tivera um filho morto em acidente de trânsito em 2002, que mantinha uma instituição do terceiro setor com nome desse filho para potencializar destino de jovens sergipanos de camadas socias mais carentes - que é o que o ILBJ exatamente faz e realiza.

Luciano Barreto, que é um camarada tomado por uma certa timidez, ficou meio sem jeito diante de tamanho conhecimento sobre ele, sua vida, sua família e seus afazeres em Sergipe. Mas, para piorar - ou melhorar -, o servidor lhe dera a informação à queima-roupa de que no dia anterior, a terça, 24, ele e esse histórico pessoal dele foram muito falados numa reunião do Conselho Nacional de Justiça, cujo presidente é também o presidente do STF, ministro Fux, seu amigo pessoal de longa data.

Luciano ainda ensaiou uma negativa para essa informação acerca do ocorrido no CNJ, por achar - ponderou ele - que não pertence ao Judiciário e por não estar em com qualquer litígio nessa área. Mas o servidor estava certo.

Na terça, 24, sim, Luciano e sua história familiar ligada ao ILBJ foram ponto de partida para uma fala muito significativa do ministro Fux ligada a empatia humana, à capacidade de se colocar no lugar do outro e fazer pelo outro aquilo que o outro não tem condição de fazer por si só.

O ministro Luiz Fux, reunido com todo o staff do Governo do Distrito Federal e com os membros do CNJ, lançava naquela terça a base do “Projeto Justiça na Escola - Restaurando Relações”, cuja finalidade é a de fazer com que o corpo do magistratura leve aos jovens estudante dos ensinos fundamental e médio noções elementares de direito para o uso pessoal e a autodefesa. Para Fux, apesar de grave, o maior problema do Brasil não é essencialmente a pobreza e sim a falta de informação.

Na verdade, assinatura do protocolo patenteava as intenções de dar início a uma parceria que vai difundir a Justiça Restaurativa nas escolas do Distrito Federal. A Justiça Restaurativa engloba práticas e habilidades interpessoais de gestão de conflitos que podem ser aplicadas em diversos ambientes, inclusive em escolas, para a transformação social e a promoção da cultura da paz.

E é aí, na intenção de fazer o bem a alunos de escolas públicas, que Fux encaixou o itinerário de Luciano Barreto e do ILBJ. O ministro ressaltou a fatalidade ocorrida na família - Luciano Barreto Franco Júnior faleceu de acidente na madrugada do dia 7 de setembro de 2002 - e o histórico de Luciano Barreto e da esposa Maria Celi na destinação do que seria a herança do filho para a constituição do ILBJ. Fux lembrou que fora, a convite de Luciano, o paraninfo da formatura da primeira turma, lá em 2003, com 800 alunos.

O ministro dedicou uns oito minutos da sua fala teorizando a necessidade de se fazer algo em favor da cidadania dos jovens, e dava o exemplo de Sergipe, de Luciano, do ILBJ e do que expressamente fazia o Instituto em favor dos jovens mesmo depois de formados. Mas sem citar o nome de ninguém - exceto do Estado. “Porque caridade se faz de forma anônima”, teorizou o ministro.

Mas na fase final do evento, Fux fez uma revisão. “Eu queria quebrar o protocolo. Eu sempre tenho pra mim que a maior capacidade do ser humano é a de tornar seus sonhos realidade. E eu aqui cometi uma omissão proposital, porque eu falei que caridade se faz no anonimato”, disse o ministro.

“Mas eu não poderia deixar de mencionar o nome desse senhor que dedicou toda a herança do filho a essa obra caridosa, que é o doutor Luciano Barreto, e que é o Instituto Luciano Barreto Júnior de Sergipe, do qual tive a honra de ser o paraninfo da primeira turma de 800 jovens, que hoje estão todos empregados, atuando no mercado profissional e que, graças ao apoio e o emparo do doutor Luciano, eles não precisaram realmente da justiça restaurativa”, completou Fux.

Mas Luciano Barreto só soube do detalhamento dessas atitudes de Fux no encontro pessoal que teve com o ministro na quarta, um dia depois. “Não posso negar que fui tomado de uma emoção muito grande”, admitiu ele.

O lado altruísta de Luciano Barreto é algo muito forte e ele havia ido à sala de Fux na quarta exatamente movido por um gesto de altruísmo: o advogado Cristiano Barreto - não é seu parente, é amigo pessoal -, conselheiro da OAB, precisava fazer um convite a Fux em nome do presidente da OAB Sergipe, Danniel Costa. Pediu a mediação a Luciano e Fux os recebeu. Motivo: convidá-lo oficialmente em nome da OAB para uma palestra em Aracaju. Já ficou agendada para julho.

 

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