Aparte
Opinião - Os perigosos espectros que rondam o Brasil

[*] Rômulo Rodrigues  

Supostamente, dois defuntos com suas aparências de fantasmas rondam o Brasil e insistem em trazer de volta tudo de sinistro que possa aterrorizar o ambiente político e pautar retrocessos.

Um, em forma de gente. Outro, muito mais perigoso, em forma de partido político. Em comum, um passado em forma de farda velha que não serve mais.

O primeiro deles, não por ordem de perigo e malefícios, mas por aparições conjunturais tenebrosas, é Michel Temer, tido como grande jurista e no fundo um homem que faz do palco da política um exemplo do que disse o lendário Ulisses Guimarães: “Não é a política que contamina e corrompe o ser humano; são os corrputos que entram na política para desvirtua-la”.

E disse também: “É indecoroso fazer política uterina em benefício dos filhos, dos irmãos e dos cunhados! O bom político costuma ser mau parente”.

Michel Temer atende perfeitamente ao primeiro conceito do Dr. Ulisses. Abandonou a carreira acadêmica de professor de Direito Constitucional para ser um medíocre baldeador da água da política.

Por pertencer ao PMDB de São Paulo, onde o discutível Orestes Quércia, de quem foi sabujo, pôs para correr figuras proeminentes como Franco Montoro, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, foi alçado à Presidência nacional do partido, por ser inexpressivo politicamente, e o desempenho estadual atesta sua mediocridade.

Os números atestam que em 2006 o PMDB elegeu uma bancada de 89 deputados federais, sendo três de São Paulo; em 2010 elegeu 78, com um de São Paulo e em 2014 elegeu 65, com dois deputados paulistas, mostrando que nos anos em que foi eleito na chapa com Dilma Rousseff, o partido que presidia estava em queda, mas o comportamento submisso e o tempo de televisão foram fatores primordiais para a aliança com o PT.

Por sua vez o Partido Progressista de hoje ainda resiste com o verme consistente daquele núcleo reacionário, golpista e entreguista da ditadura militar, que tinha o nome terrível de Arena.

Com o fim da ditadura, se camuflou como PDS, depois como PPB e hoje assume a postura enganosa de Partido Progressista. Como PPB, elegeu uma bancada de 60 deputados federais em 1998 e 49 em 2002, ano da eleição de Lula.

Em 2006, elegeu 41 deputados. Em 2010 caiu para 44 e nas duas últimas repetiu 38 eleitos. Entretanto, um partido político que elegeu a 5ª bancada em 2018, ocupa a Presidência da Casa, exatamente por ser o núcleo ideológico remanescente e mais identificado com o ideário oriundo da caserna, conforme atestam suas ações e votações do golpe de 2016 até o momento em que é cúmplice de um genocídio.

A marca indelével de que o Partido Progressista tem o povo, classe trabalhadora e movimentos sociais como inimigo interno a ser batido, está manifesta nas aprovações da reforma trabalhista que retirou direitos arduamente conquistados em décadas, como aposentadorias, a criminosa aprovação da terceirização como regra para uma nova escravização e a mais recente ameaça em tramitação na Câmara dos Deputados, sob a Presidência do PP, de um projeto de lei com licença para matar militantes de movimentos sociais.

O desafio de agora e sempre é derrotar os espectros, varrendo do cenário político o Partido Progressista e suas fantasmagóricas figuras públicas.

[*] É sindicalista aposentado e militante político. 

 

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