Aparte
Opinião - Genival Lacerda foi bem além da bizarrice com a qual o rotularam

[*] Luciano Correia 

O artista Genival Lacerda, morto nesta quinta, 7, no Recife como mais uma vítima da Covid-19 aos 89 anos, não é somente "o pai" da Severina Xique-Xique, uma entre as centenas de músicas que ele cantou pelo Brasil afora.

Essa, justamente tornada sucesso pelo que trazia de folclórico, pela bizarrice com que o resto do país sempre enxergou o Nordeste - e a ele -, na base da galhofa e do caricatural.

Mas Genival Lacerda é - ou foi - um gigante, não de uma "música nordestina" ou de outra qualquer da MPB. 
Ele é um grande da música brasileira, com toda a força e a magia que essa fonte carrega em si e despeja para o mundo. 

O talento com que Genival Lacerda canta a Paraíba com a ternura e a malandragem dos grandes cronistas, de belíssimos xotes e xaxados e da arte de entoar e dançar fora do compasso, essa outra marca que ele dividia com Jackson do Pandeiro, faz dele esse grande grandiocíssimo. 

Além do extraordinário valor artístico, Genival abriu portas para que a música produzida no Nordeste ganhasse caráter de indústria, gerando empregos, renda, divulgando nossa cultura e revelando sucessivas gerações de novos talentos. Isso não há morte que apague.

Como artista, ele deixa uma fortuna musical incalculável  para os que ficam. E certamente vai fazer mungangas proveitosas no céu - se é que existe céu.

[*] É jornalista e presidente da Funcaju.

 

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