Aparte
Opinião - Ainda sobre o episódio Silvio Santos e a recuperação humanística dele

[*] Misael Dantas

Quando a palavra, por pouco tempo, ofusca a personalidade. Poucas vezes estive com Silvio Santos, agora Silvio Alves Santos. Talvez ele nem lembre-se de mim, mas já até nos cumprimentamos em eventos aqui em Estância.

Sergipe, no entanto, o conhece pessoal ou politicamente. De longe, já percebe-se que é um sujeito simples e de fino trato que até no falar e no portar-se já expõe essas características de urbanidade.

Confesso que, ao ver nas redes sociais sua manifestação em desfavor do falecido Bruno Covas, prefeito da cidade de São Paulo, há pouco mais de uma semana, me causou um desconforto. E, momentaneamente, revolta. Penso que em muitas outras pessoas também.

Fiquei tentando entender o porquê daquele inoportuno comportamento do Silvio. Vários comentários “revoltados” com sua fala foram reforçados com o fato de ele ter sido um dos maiores amigos e partidários do saudoso governador Marcelo Déda que, infelizmente, faleceu também como resultado de um câncer.

Mais ainda, pelo fato de Silvio Alves Santos ser/era presidente do Instituto Marcelo Déda. Mas o peso negativo de sua expressão tornou-se mais leve, porque seu gesto de grandeza quando não só justificou, mas desceu ao piso da humildade reconhecendo seu erro.

Aí veio à tona o verdadeiro Silvio Santos, não o do Baú, mas o do PT! Partido que ele sempre defendeu por princípio e não por oportunismo. Resta aos que, corretamente, não aceitaram sua manifestação naquele pior momento que a família do prefeito Bruno Covas estava enfrentando, receber seu gesto reconhecendo o erro e aí, oportunamente, o pedido de desculpas, ressurgindo o verdadeiro Silvio Santos que, por pouco tempo, foi ofuscado pelo peso da palavra maldita! 

[*] É professor, advogado, vereador pelo PSC e presidente da Câmara Municipal de Estância.