Aparte
Opinião - Em 2022, a unidade é indispensável. Em Sergipe e no Brasil

[*] Carlos Cauê

O tema das eleições 2022 comporta-se como boa parte da população na pandemia que, por não poder cumprir as normas, ou simplesmente não querer, insiste em frequentar ambientes, reunir o máximo de agentes políticos e promover conversas, muitas delas literal e perigosamente ao pé do ouvido.

Aqui em Sergipe, com menor ou maior grau de ativismo, todos os políticos sergipanos estão nessa seara. Constroem planos, especulam, alguns fazem intrigas, conspiram, desenham cenários, fazem sondagens, conferem trajetórias, aperfeiçoam inclinações ou descartam, apostam e, com palavras, gestos ou silêncios, conversam.

Enfim, materializam o estágio da política na antessala de uma eleição que poderá ou não mudar o Brasil. E mudar Sergipe.

Depois de mais de 30 anos do fim do regime militar, de ter vivido décadas de uma democracia jovem, mas crescente, o país parece precisar unir-se, novamente, contra um mal comum, como fora a ditadura no passado, e enfileirar-se numa ampla frente nacional contra a principal ameaça à nossa democracia, representada por Bolsonaro e o bolsonarismo.

Como a atual conjuntura política do país ainda não nos permite pensar num único candidato a presidente capaz de galvanizar tal frente já no primeiro turno, é imprescindível que essa unidade se dê para além das candidaturas, materializando uma frente anti-Bolsonaro, numa concepção programática em defesa da vida, da democracia e do Brasil.

Tal compromisso, levado ao segundo turno das eleições, poderá ser a ferramenta necessária para livrar o país das principais mazelas do presente.

Se no plano nacional a unidade das diversas forças democráticas de centro e das esquerdas será fator decisivo para realizar a principal mudança que o Brasil precisa fazer, aqui em Sergipe essa unidade é imperiosa para manter o Estado no rumo do progresso que o atual projeto político comanda, e evitar reproduzir em nossa terra a malfazeja experiência que o Brasil vive.

Nesse sentido, é preciso entender que, sobretudo, aqui em Sergipe é o grupo unido que detém a força e reúne a capacidade necessária para realizar sua sucessão, longe do risco bolsonarista local, seja ele o declarado, legítimo ou aquele envergonhado, no qual muitos se elegeram e hoje esperneiam para livrar-se desse conspurcado passado. 

A divisão do grupo governista, portanto, é o que representa efetivo risco à sucessão de comando no agrupamento mantendo-se, entretanto, o caminho do projeto político iniciado em 2006 por Marcelo Déda.

Tal risco não é imaginário. Em 2020 ele se materializou na atitude divisionista do Partido dos Trabalhadores, que rompeu a unidade e lançou um candidato à sucessão municipal em Aracaju e findou num esquálido quarto lugar, amealhando pouco menos de 10% dos votos.

Só mesmo a maturidade política dos agentes que compõem o agrupamento pode evitar que o legítimo direito das agremiações lançarem candidatos ou a prevalência de pensamentos diversionistas ou exclusivistas exploda um projeto político que ainda tem muito a produzir por Sergipe e evite que o Estado imite a tragédia do Brasil em 2018. A unidade é indispensável.

[*] É jornalista, marqueteiro político e secretário de Comunicação do Governo Municipal de Aracaju.

 

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