Aparte
Opinião - As pesquisas são reais, quando não são nuvens

[*] Rômulo Rodrigues

O sistema eleitoral brasileiro, de há muito que já foi dominado pela eloquência dos números das inúmeras empresas de pesquisa, assim como a economia foi escravizada pelo Deus mercado.

Não há uma única discussão sobre preços e tendências que não seja precedida pela certeza absoluta do que aponta o mercado.

No processo eleitoral, a palavra final no mercado de ações das preferências e tendências também predominam as inúmeras vozes das pesquisas que, muitas vezes atendem aos desejos e expectativas dos contratantes, por variações dos métodos aplicados e das devidas tabulações, a depender do momento.

Na boca do forno de hoje, foi publicada uma pesquisa que requer muito cuidado nas análises, como no caso de governador, ainda na quentura da retirada do dono das espontaneidades, que já era anunciado vencedor, até sem ser preciso haver a eleição.

Sob o atordoamento do impacto, é até aceitável que haja uma grande indecisão; mas, os índices de 21,7% para brancos e nulos e de 26,3% para não sabe e indecisos, parecem muito distantes da realidade nacional de todas as empresas que dominam o cenário e quase todas ligadas ao mundo financeiro que colhem números afirmativos da ordem de 88 a 91%, dos votantes pesquisados.

Um dado que salta aos olhos é que o provável contratante da pesquisa aparece como líder, ostentando 15,4%, tendo nos calcanhares um postulante com 15,1% e outro com 14%.

Longe de mim, proclamar que o senador do PSDB, depois de pular duas cercas partidárias, não possa liderar; pode, sim!

Mas, ele foi eleito para o atual mandato, em uma eleição de dois votos que não tem o menor cacoete de parâmetro para uma chamada eleição solteira.

Se servir de exemplo, um ex-senador, de quem o atual tomou a legenda, também já foi campeão de votos, com quase 50% a mais que ele, já amargou uma queda de 33% na eleição seguinte disputando o cargo de governador, aqui mesmo, em Sergipe Del-Rey.

Se a regra for repetida, e tem tudo para ser, o atual senador tende a amargar um terceiro lugar e não ir ao segundo turno.

Já no quesito pesquisa para o senado os números de brancos 17,6% somados aos indecisos 19,5%, geram um somatório de 37,1%, 10,9% abaixo dos principais majoritários, onde a disputa está bem mais acirrada e já vem sendo pauta há bastante tempo.

Certo que a política é uma caixinha de surpresa e, às vezes, até de Pandora; mas, surpresa quando é em demasia pode virar bicho e comer o dono.

Mesmo assim, vejo bastante importância nas colheitas de opiniões dos votantes para o cargo de senador da República por trazer um retrato mais plausível com o que possa ser realidade, embora avalie como improvável que a delegada possa liderar a corrida e, se lidera em algum trecho do percurso, possa chegar ao pódio.

Qualquer cidadão ou cidadã que milite na política ou faça um acompanhamento mais permanente, com certeza, já sabe que aquele vendaval de 2018, puxados pelos milhões de disparos dos robôs pago por Steve Bannon, a custa de bilhões de reais, não vão estar em voga em 2022 e, consequentemente, as enxurradas de votos para delegados de polícia e militares formatados nas delegacias e casernas do fascismo, estarão mais próximos de “o vento Levou”, do que “Estou aqui de novo”.

Em sendo assim; vale recorrer aos velhos sábios da política e enxergar a nuvem de hoje e saber que ela não estará no mesmo lugar amanhã.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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