Aparte
Opinião - Lula paz e amor, o retorno

[*] Silvio Alves Santos

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a suspeição do juiz Sérgio Moro, a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba - leia-se Lava a Jato - em processar Luiz Inácio Lula da Silva e a consequentemente anulação das condenações, lhe devolvendo os direitos políticos, tanto a direita quanto uma certa esquerda que ambicionava o espólio do ex-presidente se veem assombradas pela força da candidatura do líder petista em 2022 à Presidência da República.

Embora aqui e acolá alguma alma penada ainda lamente a decisão do STF, o certo é que o Supremo agiu corretamente, dentro das regras do ordenamento jurídico vigente, conforme os preceitos da Constituição e de acordo com a jurisprudência do próprio STF.

Depois de enfrentar um processo judicial persecutório e após anos de um massacre midiático sem precedentes, de uma ostensiva desconstrução de imagem por parte de empresários, políticos de oposição e de parcela significativa da sociedade que engoliu acriticamente a narrativa das forças conservadoras, Lula ressurge como alternativa para recolocar o Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento econômico.

Lula ressurge como alternativa para recolocar o Brasil de volta aos trilhos da paz social e da renovação da esperança para milhões de brasileiros que voltaram a conviver com o desemprego, a fome e a miséria no Brasil.

Já é possível vislumbrar um sentimento de alívio no centro lúcido que, na ausência de competitividade de um dos seus, vê em Lula uma alternativa ao desastre bolsonarista.

Somados aos milhões de petistas pelo Brasil afora, aos arrependidos da classe média, a grande massa de despossuídos que se ressentem da perda das políticas compensatórias conquistadas nos governos petista, que lhes aliviavam a sobrevivência e criavam expectativa de uma vida melhor para seus descendentes, a força eleitoral de Lula é reconhecida pelas pesquisas recentes. 

Lula é um líder político que virou uma instituição. Sua liderança ultrapassa os limites do Brasil e conquista reconhecimento além-fronteiras. Maior que seu próprio partido, o PT, ele é o principal adversário à reeleição do atual presidente Jair Bolsonaro.

Diante desse cenário de pandemia e de um futuro sombrio e incerto, mesmo aqueles que não têm certeza da culpa ou inocência do ex-presidente já avaliam votar nele em 2022. Assim, a tarefa de Lula é maior do que representar uma candidatura exclusiva da esquerda.

Sua liderança deve abarcar os anseios do centro político, econômico, intelectual e social da nação. Por mais que alguns não entendam, caberá a Lula o desafio de reunificar o Brasil e pôr fim ao ódio, à violência, à mentira, ao engodo, à ignorância e à política de genocídio que formam o ideário fascista representado pelo bolsonarismo em nosso país.

Somente o Lula reúne os principais predicados para liderar esse movimento nesse momento histórico: liderança, experiência, sensibilidade, lucidez e capacidade política.

Lendo as pesquisas eleitorais para 2022, divulgadas até aqui, observamos que Jair Bolsonaro representa as forças da direita stricto sensu. Nesse ambiente, ele é único e lidera sem sombras.

Lula tem a fidelidade da esquerda política e reúne mais condições de avançar em direção ao centro. Para isso, o desafio do líder petista será buscar votos dentre aqueles eleitores indecisos e os que pretendem votar em candidatos que não têm força para disputar o segundo turno com Bolsonaro. 

Já percebemos que Lula começa a percorrer esse caminho. Aliás é uma estrada que ele conhece bem, porque já andou nela para chegar à Presidência em 2002.

Já sinaliza que irá em busca de reunir forças políticas, reorganizar composições partidárias e nesse sentido sai muito na frente de seus concorrentes, porque tem um portfólio de realizações que o distancia dos demais. Ele tem serviços prestados. Ele cumpre o que promete e é possuidor de uma gigantesca capacidade de diálogo. 

O PT, através de seus dirigentes, tem o dever de ser peça motriz nessa engrenagem de acumulação de forças. Facilitar os entendimentos e os arranjos paroquiais e, principalmente, subordinar todo e qualquer projeto local ao projeto nacional.

Portanto, o Lula que o Brasil espera para lhe tirar das trevas em que se encontra não é um Lula que fará a “revolução socialista”. Nem é o herói disposto a morrer na praia pela vingança da esquerda ferida, magoada com as traições recentes e históricas.

Até porque o Lula é um político em essência, e a política essencial não guarda espaço para mágoas, para rancores e ou para ressentimentos. Espera-se, portanto, o Lula negociador. O Lula conciliador e, se possível, mais, bem mais, do que o Lulinha paz e amor. 

[*] É jornalista, presidente do Instituto Marcelo Déda e ex-vice prefeito de Aracaju.

Foto: Janaína Santos

 

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