Aparte
Opinião - A fuga dos ratos

[*] Rômulo Rodrigues

A lenda não diz, mas um provérbio português é quem afirma, há séculos, que quando um navio começa a afundar os ratos são os primeiros a pular fora.

Explica-se: é no porão da embarcação que estão armazenados os alimentos e, consequentemente, os queijos muito apreciados pelos roedores.

A recente história política do Brasil já começa a vir a público, mostrando a fuga de um dos ratos que roeram as vísceras da soberania e da economia do país.

Sérgio Fernando Moro é o nome dele, que está fugindo, ou já fugiu, para os Estados Unidos da América, onde suspeita-se que vá usufruir as recompensas pelo seu trabalho sujo.

E deve estar sorrindo de orelha a orelha com uma das notícias que vem do exterior: sua cria, Jair Bolsonaro, foi eleito pelo Projeto Relatório sobre Crime Organizado e Corrupção - OCCRP, sigla em inglês -, personalidade do ano em crime organizado e corrupção - corrupto do ano -, desbancando Donald Trump dos EUA e Recep Erdogan, da Turquia.

Sérgio Moro, para eleger qualquer coisa, elegeu Bolsonaro, montou uma farsa tarefa contra Lula e jogou o país no fundo do poço, de onde vai demorar décadas para voltar à superfície.

Incrível é saber que ainda tem gente ao que acredita que Moro fez um bom trabalho e só escorregou quando, após tirar Lula da disputa e eleger Bolsonaro, aceitou como recompensa a nomeação para ministro da Segurança enquanto aguardava a vaga para ministro do STF.

Aos mais ingênuos, dou um refresco. Por dever de profissão, alguns têm que lembrar da famosa foto do presidente Itamar Franco na Marquês de Sapucaí, no carnaval de 1993, com a modelo Mirian Ramos, desprovida daquela peça íntima.

Do fato, até os mais bestas lembram, mas os puritanos de oportunidades fazem questão de esquecer que o outro homem da foto, que ladeava a modelo, era ninguém mais ninguém menos que o já doleiro Alberto Youssef, amigo de Moro lá de Maringá.

Como a operação montada e dirigida por Moro, supervisionada pela CIA e FBI, não surgiu do dia para a noite e incorporou nas leis brasileiras que nada precisa ser provado, basta ter convicção, a minha é que desde então o juiz já planejava criar fatos que incriminassem presidente da República e jogassem a opinião pública contra o ocupante do mandato.

Com Itamar veio o Plano Real que resultou na eleição de FHC e aí nasceu o maior pacote de corrupção da história do Brasil, com a fuga de R$ 620 bilhões pelas contas CC-5 na agência do Banestado do Paraná, em Foz do Iguaçu, cuja gerente era a mulher do procurador Antônio Fernando Santos, que prendeu Lula no aeroporto, amigo de Moro, cujo doleiro era Alberto Youssef, da patota de Moro em Maringá, Paraná, tenho convicção que o juiz Sérgio Moro freou sua ambição de ser um protagonista da República e aí, como todo ambicioso dotado de muita frieza, resolveu esperar.

A espera valeu a pena quando montou uma operação para monitorar as movimentações de Youssef no lava jato de um posto de gasolina e, na escuta, interceptou o nome de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, lá dos tempos de FHC, que fora demitido por Dilma e aí viu chegada a hora que tanto ambicionava.

A conjuntura era propícia. No rastro da revolução de 2011 no Egito e nas manifestações de junho de 2013, no Brasil, viu a sorte bafejar com a chegada da embaixadora americana especialista em derrubar governos na América Latina e não deu outra: ataques mortíferos contra a Petrobras, à engenharia pesada, principalmente à Odebrecht, que patrocinava o projeto do submarino nuclear que dava assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, e as cerejas do bolo: derrubar Dilma e prender Lula.

Perdendo a serventia, Sérgio Moro, com os planos iniciais frustrados, bate em retirada à procura do caminhão do lixo da história, o que me dá uma grande certeza: Moro não é bandido. Ele sempre foi.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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