Aparte
Finalmente alguém contesta modelo de juros compostos praticado no Brasil. É exorbitante

Michael Forger: pela revisão da premissa dos juros compostos

No sistema financeiro brasileiro, assim como no resto do mundo, o cálculo dos juros cobrados em empréstimos é baseado no que costuma se chamar de “o regime de juros compostos” - popularmente conhecido como “juros sobre juros”.

Existe, no entanto, uma alternativa. Trata-se do “regime de juros simples”, que apresenta algumas vantagens estruturais, entre elas um mecanismo que impede o crescimento explosivo de um dívida a longo prazo.

Isso tem levado tanto o Poder Legislativo quanto o Poder Judiciário de vários países a baixarem dispositivos legais que, em certas condições, proíbem a prática dos juros compostos.

Mas ocorre que, do ponto de vista científico, o ramo da matemática financeira que trata de juros simples é muito mal desenvolvido, o que permitiu o surgimento de um grande número de mal-entendidos e até de distorções sobre o tema. O professor e doutor em Física pela Universidade Livre de Berlim Michael Forger, alemão nascido na região de Bade-Vutemberg e professor titular do Departamento de Matemática Aplicada do IME-USP - Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo - resolveu investigar esta área desde 1993.

A intenção de Michael Forger é revisar e esclarecer alguns dos conceitos subjacentes, e aí ele desenvolveu novos algoritmos para estabelecer planilhas de financiamento de contratos bancários a juros simples com o intuito de fornecer ferramentas mais sofisticadas e confiáveis do que as disponíveis até então para tratar deste assunto.

Basicamente, o professor Forger aponta um problema estrutural no cálculo de juros que vem desde a graduação com premissas equivocadas no ensino da matemática financeira e que culmina nas maiores taxas de juros do planeta.

Ele considera isso “algo extremamente danoso para os consumidores e empresas” e que “muitas vezes mergulham o setor produtivo na insolvência, causando desemprego, congestionamento nos tribunais e perdas econômicas para todos os envolvidos”.

“Os juros exorbitantes praticados no Brasil não são bons para ninguém. Nem para os bancos”, afirma o professor Michael Forger.

 

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