Aparte
Opinião - Negar a JB direito de disputar o Senado é rasgar a Constituição de 1988

[*] Rômulo Rodrigues

Abram alas para passar quem tem história. A luta política ao longo de toda a história da humanidade é, e não poderia deixar de ser, um destacado e permanente momento de luta de classes e está para sempre inscrito na história da evolução das sociedades.

Lutas aconteceram e entre elas a que participou uma heroína espanhola de nome Dolores Ibárruri Gomes ou, La Passionária. Nascida em 1895, participou com destaque da revolução espanhola e da revolução das Astúrias.

Foi eleita para o Comitê Executivo da Kominter em agosto de 1935 e lhe foi atribuída a frase: “No passaram”, embora a autoria não seja totalmente comprovada.

Com a ascensão do fascismo do general Francisco Franco, La Passionária exilou-se na União Soviética e de lá só voltou após a derrota da ditadura do general, sendo eleita para o parlamento espanhol em 1977.

E sabem quem foi a Madri lhe render homenagens e parabenizá-la? O jovem deputado federal de primeiro mandato Jackson Barreto de Lima, do MDB de Sergipe eleito em 1974, que se destacou na bancada de oposição à ditadura militar ao lado de Ulisses Guimarães, Chico Pinto, Alencar Furtado, Marcos Freire e tantos outros num momento em que o exercício parlamentar exigia coragem para enfrentar baionetas e canhões dos que prendiam, torturava e matavam à granel.

Tínhamos ali uma ditadura que desfraldava três falsas bandeiras: da defesa da pátria, da família e da liberdade, que foi ao rés do chão quando se quedou ao império americano, quando destruiu inúmeras famílias com prisões, torturas e mortes de quem ousasse discordar dela, e de destruição plena das liberdades ao impor censura, amordaçar o Judiciário e fechar o Congresso Nacional.

Outra: de combate ao comunismo, quando o Brasil nunca esteve próximo de adotar o tal regime, e a terceira, de combate à corrupção, quando sempre se soube das malas cheias de dólares entregues pelo presidente da Fiesp para serem divididas entre gorilas golpistas.

Desafiar uma ditadura como aquela requeria muito apego à democracia. E enfrentá-la com coragem e destemor, exigia muito amor pelo Brasil. E foi o que o jovem deputado sergipano JB fez.

Já na democracia, presenciei gestos de muito amor pelo seu Estado de Sergipe quando não mediu esforços de empunhar a bandeira da defesa dos trabalhadores da Petromisa em agosto de 1986, quando fomos ao Palácio de Veraneio convencer o governador João Alves Filho da justeza da greve em defesa do direito à liberdade sindical da Diretoria do Sindimina, que havia sido toda demitida.

Já em 1993, não JB se furtou de nos levar a uma audiência com o ministro de Minas e Energia, Paulino Cícero, que resultou em tirar a Nitrofértil da pauta das privatizações da reunião do Conselho da Petrobras.
Hoje, depois de décadas de dedicação às lutas democráticas, em defesa do desenvolvimento de Sergipe e das lutas da classe trabalhadora, é inaceitável que a mesquinhez tome lugar da política e tentem impedi-lo, por puro autoritarismo, de disputar com legitimidade um mandato de senador.

Negar a Jackson Barreto, que ficou ao lado da presidente Dilma Rousseff no impeachment e foi visitar o acampamento Lula livre em Curitiba, o direito de disputar a eleição de 2 de outubro vindouro é rasgar a constituição de 1988 e dar um sopro de vida aos órfãos do AI-5, de dolorosa memória.
A história tende a ser implacável, quando aplica a lei do retorno, que costuma vir a galope.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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