Aparte
Opinião - O assassinato do menino Juninho da Cocada, de Canindé e pela PM, não pode calar

[*] Leandro Pereira Gomes

A morte de Vitor da Silva Santos, o Juninho da Cocada, pela ação da Polícia Militar do Estado de Sergipe em Canindé de São Francisco, não pode calar. Não pode ficar impune. V. S. S. era uma criança de apenas 11 anos de idade.

Mais um entre meninos e meninas, pretos e pobres, tidos pela população como não causador de problemas e que sofreu por uma ação desastrosa que se iniciou muito antes da noite dessa terça-feira, 25 de maio.

Faço questão de conseguir deitar a minha cabeça no travesseiro e conseguir dormir. Jamais o faria se me fingisse de louco e emudecido, enquanto comunicador, deixando passar batida essa última cena de violência sobre mais uma criança de menos de 12 anos na Terra Serigy.

Acredito que isso daqui possa ser considerado terra arrasada se desistirmos de nos indignar e de cobrar do poder público e da sociedade como um todo o reconhecimento de que uma vida não pode ser tratada como um vírus. Ou o que nos rege são princípios ou não nos resta mais nada.

Não me importo de ser chamado de socialista ou de qualquer coisa que o valha, apesar de não acreditar em socialismo e de ter muitas críticas aos regimes pelo mundo que se declaram dessa forma. Não me importo se estiver defendendo a vida e a dignidade de quem é mais fraco do que eu ou é estigmatizado por ser quem é.

Não podemos bater palmas para esquadrões da morte que disputam diariamente com bandidos por território e poder. Ambos são criminosos, entre tantos traficantes. Também não podemos “passar pano” para as forças de segurança quando ocorrem erros que levam à morte crianças em comunidades mais pobres - cena banalizada na vida brasileira. Cenários grotescos que nunca vimos ou veremos nos bairros nobres de Sergipe e do Brasil.

Juninho da Cocada era uma criança, e nada do que for revelado de eventuais condutas dele tira o assassinato da rota da indignação. Se estivesse no crime vendendo os seus doces de coco em Canindé ainda haveria a revolta sobre quem o cooptou e sobre como é possível tantas crianças e adolescentes passarem por esse ciclo sem fim de marginalização e criminalidade.

No fim, todos estamos errados: ao tratarmos a vida humana como lixo quando pensamos em extermínio de pessoas como um fim de problemas; ao calarmos as vozes e não cobrarmos dos nossos representantes soluções; ao fingirmos que não é conosco, até ser tarde demais e vermos situações como essa ocorrerem.

Sim: Sergipe está doente. O Brasil está doente. E isso afeta a todos nós e exige ação. Vamos começar por repensar essa sanha assassina que se pôs acima de qualquer polarização político-ideológica que nos cinge nesse momento?

[*] É colunista, social media e assessor de Tecnologia dos canais do Portal JLPolítica.

 

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