Aparte
Opinião - Fabinho Mitidieri falou por todas as hienas

[*] Ivan Bezerra de Sant'Anna

O seu rosto untado de óleo de peroba ficou bem fotogênico. As lágrimas escorrendo pelas trilhas oleosas deram um tom levemente dramático. Aliás, muito charmoso, diferentemente daquelas que os usuários da saúde e da educação pública terão quando a sua família completar o ciclo de compras dos serviços hospitalares e educacionais.

Entretanto, gosto do Fabinho Mitidieri, mesmo porque é um colega proletário - quero dizer, torcedor do Grande Dragão, evitando, dessa maneira, confundir as fileiras marxistas com as das torcidas organizadas do glorioso Confiança.
Já imaginaram Fabinho governador? Será um verdadeiro paraíso para a torcida dragonesa, pois já antevejo o pobre time rubro em vias de extinção. Entretanto, isso é assunto para outro momento. O assunto em questão versa sobre as lágrimas de crocodilo e as risadas estridentes e cínicas das hienas.

Existe quem afirme que os crocodilos só choram quando estão devorando as suas vítimas, que as hienas comem suas presas ainda vivas, emitindo gritos arrepiantes que se misturam com os sons angustiantes dos devorados. Natureza é a natureza. Não existe bondade ou maldade, mas uma competição de sobrevivência e uma cadeia alimentar.

O problema é quando os homens resolvem imitar os bichos, declarando uma guerra pela sobrevivência, todos atrás de rendas e lucros, naturalizando a lei do mais forte com nomes pomposos, como, por exemplo, a lei da oferta e da demanda, a livre competição econômica, do novo sempre velho liberalismo econômico.
Pois é, leitores. Os crocodilos choram, as hienas gritam, e o Valmir de Francisquinho chora verdadeiramente lágrimas pesarosas depois que a corte suprema eleitoral - para muitos uma corte ornada por cores partidárias -, extinguiu seu direito de competir ao governo estadual de Sergipe. Choros públicos, festejos secretos.

Tão pouco é importante se o senhor Valmir mereça ou não essa punição. O que importa aqui são os lacrimosos que se salvaram. Eles sabem que são protegidos pela bela democracia brasileira, onde a vontade popular é comprada por presentes, e a liberdade de opinião é sancionada e controlada por juízes, dentre os quais se destaca o supremo democrata Alexandre de Moraes.

Não sei ainda a razão, mas toda vez que o vejo ostentando a bela careca e sua face crispada, carregada de uma mania ostensiva, me faz lembrar de Benito, não aquele do bar do Gari, mas o das plagas italianas. E confesso que fico com medo dessa democracia!
No caso de Valmir, o Fabinho chora. Mas não somente ele. O decadente Jackson Barreto, um terrível peso eleitoral para os seus aliados, também chora lágrimas com o frescor dos orvalhos das manhãs. Rogerinho, aquele que adora os benefícios da saúde pública, afoga-se em um pântano de lágrimas criadoras do Aedes aegypti.

E o que falar da grande maioria dos políticos sergipanos? Devido ao período eleitoral, como nas mágicas do Merlin, todos são extremamente honestos, gostam do ensino público e adoram o SUS. Eles choram por demais, copiosamente, e não de tristeza pelo Valmirzinho ejetado que queria ser rei, mas de alegria por terem escapados eles mesmos da degola dos reis judicantes.

[*] É advogado, músico e filósofo.

 

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