Aparte
Opinião - Quem não tiver o que mostrar é melhor não entrar no jogo

[*] Edson Júnior

O processo eleitoral de 2022 em Sergipe ainda engatinha. Embora já existam pré-candidaturas definidas, a campanha ainda está amarrada nas arrumações dos times, lista de filiações partidárias, realização das convenções e o prazo final para o registro das candidaturas, em 15 de agosto. 

Até o momento os blocos políticos não estão com chapas fechadas, os grupos conversam, tentam puxar nomes que sirvam de “escada” (nomes com potencial eleitoral que ajudem a somar votos para atingir o coeficiente eleitoral), e também bons puxadores de votos para ajudar na eleição do maior número de candidatos do partido/bloco. 

Por ora, a disputa é embalada com uma pré-candidatura da situação; pré-candidaturas de oposição; e um elemento surpresa. Vamos colocar nomes? Pela situação, Fábio Mitidieri; pela oposição, até agora, Rogério Carvalho, Alessandro Vieira e o elemento surpresa, Valmir de Francisquinho, que ainda não revelou, publicamente, se irá para a disputa majoritária ao cargo de Governador, promete uma coletiva para o próximo dia 2 de maio, quando anunciará sua decisão. 

Podem surgir novos nomes, ou já existir algum que tenha escapado neste artigo. O fato é que o jogo ainda não começou, embora algumas torcidas atuem com euforia dando como certa a vitória do seu candidato. Tentam passar a ideia que a eleição já terminou, mesmo sem ter começado; tentam criar pânico no time adversário, criar desânimo, baixar a autoestima do grupo e do próprio candidato oponente. 

Todo esse oba-oba não diz absolutamente nada, apenas espuma. Neste momento, caciques partidários tocam tambor, fazem sinal de fumaça, fumam cachimbo da paz com antigos desafetos, realizam reuniões tribais, mas nada de definição completa das chapas. 

Sendo assim, sem time no campo, nada de jogo, “no team on the field, no match”. 

Mas, independente de toda essa movimentação de bastidores, você, leitor e eleitor, já tem alguma ideia de voto para Presidente, Governador, Senador e deputados estaduais e federais? Já sabe o que quer de cada um desses representantes em seus respectivos mandatos? E dos pré-candidatos até agora anunciados, quais chegam perto dos seus desejos como cidadão?

Outra perguntinha, bem básica: como está sua vida de 2018 para 2022? Ela piorou, melhorou, ou está na mesma?

De olho no voto do eleitor, muitos pré-candidatos vão descer críticas em seus oponentes, afinal, há poucas vagas para muitos pretendentes. Essa autofagia é da natureza da disputa eleitoral: mostrar defeitos e esconder virtudes do adversário. 

Permita-me, caro leitor, “ricuperar” um fato da história. Em 1994, no governo Itamar Franco, o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, durante conversa em “off” com o jornalista Carlos Monforte, da Rede Globo/Brasília, sobre usar eleitoralmente a divulgação de indicadores econômicos em favor do então candidato à presidência da República, Fernando Henrique Cardoso, disse o seguinte: “Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde''. 

Acidentalmente, esse áudio foi captado e vazado por antenas parabólicas e o episódio, conhecido como o “Escândalo das parabólicas”, provocou a queda do ministro. 

Hoje, as “fake news” são reverberadas às escâncaras, não há mais vergonha, não há mais escrúpulo em alguns debates. A vergonha, diante do que muitas figuras públicas andam dizendo, se escondeu, envergonhada, e infelizmente, durante o debate eleitoral, as inescrupulosas fake news conseguirão convencer eleitores desatentos. 

Mas, voltando ao artigo, uma personagem que será central neste processo eleitoral será o governador Belivaldo Chagas. O candidato do bloco coordenado por ele, Fábio Mitidieri, será colocado como sua reencarnação, a continuidade de tudo que aconteceu em Sergipe desde que o grupo formado pelo saudoso Marcelo Déda assumiu o Governo do Estado a partir de 2007.

Impõem-se lembrar que muitos adversários de hoje fizeram parte da construção deste Governo que chegou às mãos de Belivaldo Chagas. Os problemas que ele herdou não são obra dele. 

Mas ele, responsavelmente, não responsabilizou ninguém pelo estado do Estado que caiu sobre seus ombros. Como se diz no interior, “o caboco comeu a bucha sozinho”, suportou calado as cobranças e não apontou o dedo pra ninguém. Mostrou fibra, caráter.

Durante a campanha de 2018, Belivaldo Chagas teve como slogan “cheguei pra resolver” e é fato que o Estado que vai deixar está bem melhor que aquele que recebeu. Alguns vão desdenhar, torcer o nariz e tentar minimizar todo o trabalho do governador para promover o equilíbrio fiscal das contas do Estado, voltar a pagar os salários em dia, recuperar a capacidade de investimentos, realizar obras de infraestrutura, recuperação de rodovias, construção de moradias, e conceder reajuste salarial ao funcionalismo, que estava há 10 anos sem um centavo a mais em seus salários. 

De forma jocosa, tentarão colar o discurso de que o Galeguinho não fizera mais que sua obrigação. Querem saber, isso é verdade! Belivaldo Chagas cumpriu mesmo com suas obrigações e isso deve ser exaltado. Ele suportou toda a carga de críticas com paciência, resignação e perdendo, a cada dia, os raros fios de cabelo que ainda lhe sobram.

Nenhum dos seus adversários, repito, muitos que construíram o Estado herdado por Belivaldo, podem desconhecer o trabalho de recuperação que ele promoveu. 

No fim de semana passado, durante a final do Campeonato Nordeste de Kart, na Orla da Atalaia, conversei com um bom observador da cena política e foi inevitável não traçarmos prognósticos sobre o pleito de 2022. 

Quando o amigo analista sugeriu eventuais “passivos” do governo Belivaldo e que eles recairiam sobre o candidato do bloco, lembrei que todos os pré-candidatos têm passivos, alguns no subterrâneo e que ao longo do pleito eleitoral podem subir à superfície, quem sabe! Usando um jargão bem conhecido, “Sergipe é terra de muros baixos” e daqui pode se avistar Brasília.

Portanto, quem tentar jogar pedras no telhado alheio é preciso avaliar as condições do próprio telhado. O eleitor está atento e quer propostas que apontem futuro, não passado. 

O candidato que pegar o atalho da futrica, em vez de propostas, já perdeu. Ou mostra conhecimento sobre o presente e o que pretende fazer ou não entra no jogo. 

O eleitor não quer lero-lero, quer candidatos que saibam como empurrar Sergipe para a frente, que aproveitem a ordem na casa colocada pelo governador Belivaldo Chagas e contribuam para o desenvolvimento do Estado e a melhoria dos sergipanos. Se não tiver nada a mostrar, que fique calado e não entre no jogo. 

*É jornalista.

 

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