Aparte
Opinião - É fogo. Esqueceram do Barco de Fogo

[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Concordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores - CUT - de Sergipe, Rubens Marques de Souza, o Professor Dudu, quando diz que o Governo do Estado errou feio ao deixar Estância fora do Memorial do Largo da Gente Sergipana - que está sendo construído às margens do Rio Sergipe, em frente ao Museu da Gente Sergipana.

Na estrutura edificada sobre a lâmina d’agua do Rio Sergipe, serão construídas oito esculturas que terão sete metros de altura, representando as principais manifestações populares do Estado de Sergipe. Esquecer de incluir Estância no projeto original é o mesmo que alguém decidir homenagear a cidade do Vaticano e esquecer da figura do Papa.

Quando se fala no São João de Estância, a primeira coisa que vem à mente é de fato o popular Barco de Fogo. Na carona, vêm a tradicional Guerra de Busca-pé e as Quadrilhas.

Endosso as palavras do professor Dudu, quando ele defende em entrevista aqui nesta coluna que a “marca registrada” da querida Cidade Jardim - assim batizada por Dom Pedro II - é sem dúvida nenhuma o Barco-de-Fogo. Apesar do Busca-Pé também fazer parte da tradição - mas não é algo exclusivo da cultura local.

O barco representa uma das manifestações culturais mais significativas do Estado de Sergipe com mais de um século de existência. Suas primeiras citações datam do ano de 1907. Essa tradição não pode ser desprezada ou esquecida pela Secretaria de Estado da Cultura e muito menos pelo Governo do Estado.

Mas ainda há tempo de corrigir o erro e devolver a Estância o orgulho de ter seu nome lembrado e, acima de tudo, ter o seu maior símbolo dos festejos juninos respeitado e valorizado: o Barco-de-Fogo.

[*] É administrador de Empresas, Policial Rodoviário Aposentado e escritor.