Aparte
Opinião – Da arte de reconhecer os erros

[*] Rômulo Rodrigues

Na semana passada escrevi nesse espaço que as eleições para prefeito de Aracaju obedeceriam a um padrão e teriam resultados que não se concretizaram, e quero dar minha mão à palmatória.

Errei movido pela emoção acima da razão e, com isso, tenho que reconhecer. Deixo o julgamento para quem ama Renato Russo “e quem irá dizer que não existe razão nas coisas escritas pelo coração”.

Meu coração é vermelho e de vermelho ele vive, e pronto. Porém, e sempre existe um, porém! Teve acertos também. Vamos lá, no enredo de perdas e danos: desde o início da campanha que diagnostiquei que haveria segundo turno. Está em curso. Teve quem escrevesse que não teria e que a delegada seria a premiada.

Usei como método a divisão em camadas e blocos. Palpitei que Edvaldo Nogueira faria a camada superior numa linha de corte de 100 mil votos. Foi além - chegou a mais de 119 mil. Erro comparável ao dos institutos de pesquisas em Lagarto e Tobias Barreto.

Na camada inferior, diagnostiquei que o candidato do PT obteria 70 mil votos. Errei feio. A premiada da camada foi a delegada raivosa que, de tanto bater em Edvaldo-Márcio também fez a massa de bolo dele inchar e os 15 mil votos faltantes para eu acertar no número foram, justamente, para Edvaldo. O bolo macio da paciência venceu a massa azeda do ódio. Vou ter que fazer um curso de confeiteiro.

Mas, como bom caicoense da gema, erro o mote, mas não perco a glosa. Acertei quase em cheio que as duas camadas teriam 170 mil votos e tiveram 174 mil.

Os dois caminhões levaram quatro mil votos além das cargas acordadas e houve, por engano, uma troca de motoristas. Erro dentro das margens dos institutos.

Também teve problema de carregamento no primeiro bloco. Previ que Danielle, Rodrigo e Perolize teriam 80 mil votos. Tiveram 93 mil, mas, na troca com Márcio, caiu para 64 mil, deixando para trás 16 mil que, considerando que na soma das camadas houve um acréscimo de quatro mil, posso dizer que a diferença de 13 caiu para 12 mil.

Novamente recorro à influência má do signo zodíaco dos institutos que fizeram previsões em Lagarto e Tobias Barreto. Se eles podem errar, por que não eu?

Bom, e o segundo bloco, o dos considerados sem votos? A previsão foi de 20 mil e o resultado foi de 22.862 - uma sobrecarga de 2.862 votos.

Está tudo bem explicado ou alguém quer que desenhe? Afinal, fazer diagnósticos na pandemia, nem o Paulo Guedes, nem o Mandetta, nem o Pazzuelo e nem os analistas de bancada da Globonews fazem com margem de erro menor que eu.

Agora, vamos falar em tijolo que é pau que boia. Onde foi meu acerto? Estabelecer um método de análise para um cenário de 11 candidaturas, ninguém teve coragem, composto por duas camadas ou, placas tectônicas, e, por dois blocos abaixo das camadas. Alguém lembra do Pré-sal? Demorou até achar petróleo.

Onde foi que errei? Ao nomear motoristas desobedientes que não respeitaram o que estabeleci. Voltando a Renato Russo e às coisas do coração. “Não sendo um ser que sei, deixei-me levar pelo sangue que corre nas minhas veias e faz pulsar meu coração”.

Apostei alto no PT e em Márcio Macedo. Como poderia esperar que uma chapa de 30 candidatos a vereador, aparentemente muito mais competitiva que a de 2016, que tinha 13, tivesse apenas dois terços dos votos daquela?

Tudo tem explicação. Toda definição obedece a um parâmetro de comparação, e por que a decepção? Simples: o PT acertou nas estratégias e errou feio nas táticas.

Conclusão: o PT mostrou coragem, apresentou candidaturas próprias por exigências da conjuntura e revelou que não tem mais, por enquanto, uma tática eleitoral.

Agora é votar 12, sem medo de ser feliz! O que não faço é pegar as ferramentas de agrimensor e sair a campo marcando posição.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.