Aparte
Opinião - Biografia de João Alves promete contribuir bastante com historiografia política sergipana

[*] Igor Salmeron

Antes de tudo, gostaria de agradecer imensamente ao querido amigo jornalista Jozailto Lima pelo valoroso espaço para que compartilhe como se deu a minha frutífera parceria com a renomada médica psicanalista, pesquisadora e intelectual Déborah Pimentel na escrita da futura biografia do ex-governador João Alves Filho.

Para princípio de conversa, posso dizer que nossa amizade e troca de ideias já no campo de investigações historiográficas se deu nos idos de 2015, quando ingressei no Programa de Mestrado em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe, fazendo uma louvável dissertação defendida no ano de 2017 e intitulada “Os médicos e seus espaços de atuação: das ressonâncias entre medicina e representatividade profissional em Aracaju”.

Cito esse importante aspecto da minha trajetória como sociólogo, pois foi nesse relevante entremeio que estabelecemos uma genuína conexão de respeito e de admiração a partir de entrevistas que realizei com Déborah para edificar a minha pesquisa de mestrado. 

Déborah Pimentel sempre admirou o meu entusiasmo para realizar pesquisas histórico-sociais com afinco e afirmava enxergar em mim um verdadeiro talento que logo depois se confirmou com o meu recém-ingresso nas egrégias academias literocultural de Sergipe e no glorioso Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da vetusta Academia Sergipana de Letras.

Dito isto, percebi de pronto que Déborah Pimentel, repleta de ideias de vanguarda, me proporia um convite irrecusável no início de 2019 quando eu estava cursando o meu segundo ano no doutorado em Sociologia da UFS: biografar ao seu lado o mais que saudoso e respeitado político sergipano João Alves Filho, falecido no dia 24 de novembro de 2020.

Não pensei duas vezes, pois sabia que ao lado dela aliaríamos nossa conspícua inteligência e a obstinação necessária com relação a fazer levantamentos históricos que embasassem com distinto vigor esta zelosa obra que será apresentada em breve a toda sociedade sergipana e brasileira. 

Vale destacar que a confiança que Déborah depositou em meus trabalhos de pesquisas anteriores foi um grande fator que fortaleceu ainda mais essa vitoriosa parceria, dentre os quais posso citar um dos meus célebres artigos, “Os Rockefellers de Sergipe: medicina e política sob o prisma do universo sergipano no Século XX”, que causou estardalhaço na sociedade sergipana, “João Alves Filho, um governante que Sergipe jamais deve esquecer”, “Hipócrates reside em Sergipe”, dentre vários outros que alçaram meu nome como prolífico pesquisador dedicado ao cenário telúrico. 

Essa nossa leal amizade, sem dúvida alguma, acrescerá enormemente não somente à minha trajetória profissional, mas sobretudo pessoal com aprendizados que já levo para sempre em minha vida. Posso adiantar para vocês que somente pelo fato de eu ter escrito esse esmerado livro com Déborah Pimentel já sei que se constitui numa obra que nasce clássica no seio da intelectualidade cultural sergipana e do Brasil.

Realço o papel fundamental que minha saudosa bisavó D. Laura, falecida no ano passado, teve nesse percurso, pois sempre me dizia que “A história de João Alves Filho merece ser contada, não tem fim”, e realmente não tem. Percebemos com a realização dos levantamentos que nossa obra trata de novos começos, infindáveis novas descobertas que caracterizam a respeitável trajetória de João Alves Filho, tanto em nível local quanto nacional. 

Dessa forma, assim que Déborah contatou à senadora Maria do Carmo Alves, no início do ano de 2019, o desejo que ela tinha de retratar a trajetória de João Alves Filho pela sua irrefutável relevância político-social, ela prontamente me convidou para que eu fosse coautor, já que havia enxergado em mim o competente pesquisador que pudesse estar à altura da empreitada que ela me propôs.

Dividimos o livro em 19 capítulos, o que já soma mais de 450 páginas, tirando as fotografias que estamos implementando e que irá robustecer ainda mais a obra. Foram ao total mais de dois anos e três meses de trabalho árduo, levantamentos infindáveis em arquivos históricos e acervos dos mais variados, além, claro, de ricas entrevistas que edificam ainda mais as nossas investigações.

João Alves Filho com a sua trajetória de vida nos ensina que a História é o olho do tempo: não mente. O que empreendemos com essa obra foi trazer para a sociedade sergipana e brasileira um olhar apurado sobre os passos que João Alves deu ao longo do seu percurso existencial, nem sempre ladrilhado por calmaria, mas por incansável obstinação.

Na minha perspectiva sociológica, um Estado só prospera por grandes edificações à sua comunidade, e isso João Alves Filho construiu com a mais alta devoção. Engenheiro de formação, político vocacionado por diversas experiências, edificou como pouquíssimos um legado mais que material, deixou como espólio valores que atravessam gerações e isso vocês irão conferir no livro.

Um diferencial de João Alves Filho é que ele não se limitou à sua habilidade política, mas expandiu sua astuciosa inteligência ao campo cultural. A contribuição que legou ao universo intelectual foi vasta - tanto é que se destacou como o pioneiro investigador a se debruçar sobre as questões da seca nordestina e da transposição das águas do Rio São Francisco - este último possui em João Alves Filho seu mais elevado estudioso.  

Para concluir, independentemente da ideologia partidária que muitas das vezes nos faz ficar míopes diante da riqueza historiográfica das figuras estatais, devemos reconhecer aqui o imorredouro patrimônio de ações concretizadas por João Alves Filho como algo notório.

Até mesmo os opositores mais ferrenhos consentem que João Alves Filho foi e continua sendo um estadista que jamais pode se permitir ser esquecido pela sociedade sergipana e brasileira como um todo. O visionário João Alves nesse livro tem sua vida retratada de modo a compreender as heranças históricas deixadas por tantas ilustres autoridades sergipanas, que assim como ele – “o João da Água, o João do Povo, João Chapéu de Couro” -, devem ser laureadas pelo perpétuo esmero merecido. 

Espero, como sociólogo, pesquisador das personalidades, famílias tradicionais e efemérides sergipanas, que haja uma maior divulgação para sociedade em geral que ainda padece do desconhecimento dos seus próprios ilustres conterrâneos, ressaltando que são justamente esses insignes personagens que nos fazem compreender o próprio desenvolvimento de Sergipe e, com certeza, João Alves Filho faz-se um deles. Espero que possam apreciar a obra por vir e que ela traga esse fundamental estímulo de conhecer os nossos!

[*] É pesquisador e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe.

 

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