Aparte
Opinião -  Sem Valmir de Francisquinho, como fica o jogo em Sergipe?

[*] André Luis Carvalho

Após o TSE confirmar a inelegibilidade de Valmir de Francisquinho, PL, a corrida eleitoral ao Palácio dos Despachos de Sergipe perde novamente o líder das pesquisas. Apesar de Valmir ainda brigar por embargos, a atual situação de inelegibilidade dele gera um sentimento de injustiça nos seus eleitores.

As notícias de que o PSD, partido de Fábio Mitidieri, entrou como parte interessada no processo serve exatamente para fortalecer essa narrativa. O processo jurídico ganhou forma de rasteira política no discurso adotado por Valmir e seus seguidores.

Emília Correia, Patriota, e Danielle Garcia, Podemos, são os nomes mais especulados como sucessoras de Valmir na disputa ao governo sergipano. Independentemente de quem seja, o nome indicado pelo itabaianense tende a aparecer bem nas próximas pesquisas.

Se Valmir perdeu essa, Fábio Mitidieri também perde. Apesar de contar com a máquina governista e o maior contingente de lideranças políticas do Estado, a pré-campanha está cometendo sucessivos erros de comunicação e estratégia que podem transformar a vitória tida como certa em derrota.

No início do ano, Edvaldo Nogueira, PDT, liderava nas pesquisas mas, por falta de apoio do seu grupo, acabou declinando da disputa em favor de Mitidieri. Apesar do apoio ao nome de Mitidieri, as pesquisas que sucederam indicam que a pré-campanha não conseguiu atrair o eleitorado de Edvaldo.

Com uma estratégia de tentar atrair eleitores lulistas e bolsonaristas, a pré-campanha dos governistas optou por palanque neutro para a disputa presidencial, fazendo com que a eleição de Rogério Carvalho, PT, saísse da situação de dificuldade na construção de palanques locais no Estado para uma necessidade da campanha de Lula, PT.

Somando-se a isso, a pré-campanha estende uma disputa interna à cadeira de senador que, independentemente do resultado, deve deixar dissidências internas. Se o cenário anterior à saída de Valmir favorecia o nome de Jackson Barreto, MDB, a atual conjuntura poderia fortalecer o nome de Laércio Oliveira, PP.

Poderia, caso o PSD não tivesse vestido o manto de vilão na versão dada por Valmir e isso limitasse profundamente a atração dos eleitores de Valmir. O voto de Valmir é, acima de tudo, seu. Boa parte do eleitorado é bolsonarista, mas se o presidente conta com 22,45% na última pesquisa do Instituto França, Valmir pontuou 29,21%.

Na mesma pesquisa ainda havia João Fontes, PTB, e Alessandro Vieira, PSDB, que juntos somaram 10,93% e que possuem capacidade de atrair parte do eleitorado bolsonarista. Sendo assim, Rogério pode ser o maior beneficiado pela mudança do cenário eleitoral.

Antes de Valmir assumir a marca de candidato bolsonarista, era um candidato antigovernista e essa característica era o que tornava sua campanha animadora para sua base. Colocar-se como bolsonarista pode ter sido justamente o fator que limitou seu potencial de crescimento.

Sem aceitar a decisão, Valmir é retirado da disputa tendo se saído melhor que os grandes nomes da política estadual e construído um capital político invejável. Entendendo como pensa o eleitor do interior e dominando o uso do marketing digital, o filho de Francisquinho dos Porcos saiu de piada para rival de peso. Talvez falte isso nos concorrentes.

[*] É cientista político pela Universidade de Brasília.

 

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