Aparte
Opinião - Mudanças, continuidades, fatos e versões 

[*] Francisco Emanuel Meneses Alves

Fiz um levantamento das candidaturas a prefeito nos municípios de Sergipe entre 1996 e 2020. Para surpresa de poucos, os nomes são quase os mesmos. Barra dos Coqueiros, Rosário do Catete, Carmópolis, Japaratuba e Aracaju são casos notáveis de nomes recorrentes em eleições municipais.

Vale ressaltar que considerei nomes específicos sem levar em conta os indicados por esses nomes. Nesse último caso, a linha de continuidade (repetição mesmo) seria mais expressiva ainda.

A Barra tem Airton Martins e Gilson dos Anjos sempre em cena neste período; Rosário tem Laércio Passos; Japaratuba, Hélio Sobral; Carmópolis teve o falecido Volney Leite e Esmeralda fortemente presentes, e Aracaju tem Edivaldo e Almeida Lima.

As sutilezas do caminho aparecem quando o candidato a prefeito do PT em Aracaju, Marcio Macêdo, enfatiza a fé em Deus para governar. É claro que todo mundo pode crer ou não no que bem entende, mas também é claro que essa afirmação numa propaganda eleitoral também não foi à toa.

A propaganda de Rodrigo Valadares é um diminutivo frágil do bolsonarismo. Machista e apelativa a um salvador. O deputado não tem a coerência e o senso de humor do pai (em memoriam) mas é mais pretensioso e surfa num vácuo de poder que aquele não tinha experimentado.

Edvaldo aparece como um prenúncio de um produto possível de ser vendido na vitrine em 2022. Enquanto isso, o discurso de Danielle é uma apresentação profética e apelativa sobre o combate à corrupção.

Cabe ressaltar que todo mundo pode se candidatar, mas esse discurso de xerife pós-Lava Jato é muito ruim para a democracia. Ser contra a corrupção é uma obrigação, não uma virtude extra.

Historicamente, o discurso anticorrupção é utilizado pelas elites para varrer qualquer sopro de povo do poder. O mar de lama nasce no berço de ouro, morre na auditoria e vive onde há poder.

O poder potencialmente corrompe a todos, mas não é um crime por si só. A omissão é um crime pior. Como diria Millôr, “quem se curva aos opressores, mostra a bunda aos oprimidos”. Política, sim! “Pra não ser idiota”.

[*] É fiscal de acesso, antropólogo, professor, poeta e cientista social. Capelense de espírito, sancristovense de vivência e aracajuano de registro.

 

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