Aparte
Opinião – Nesta hora, temos muito Brasil e pouca união

[*] Francisco Emanuel Silva Meneses Alves
 
Em política, como na vida, tão importante quanto ter boas ideias, é fundamental saber quando se deve mudar frente a elas.

Pois bem: PDS, PFL, DEM e agora União Brasil. Em Sergipe, a principal figura dessa genealogia partidária hoje é a senadora Maria do Carmo Alves e, junto a ela, o ex-deputado federal José Carlos Machado.

Do PSL, que veio a se fundir com o DEM, vem o jovem, mas velho conhecido do partido do 25, André Moura. Num embaraço entre André e Machado, está o futuro do legado do ex-governador João Alves Filho, ainda materializado pela presença e atuação da senadora Maria do Carmo.

Ambos os partidos membros da fusão têm políticos com mandato em Sergipe, mas em quantidade muito menor do que há 16 anos, quando João deixou o Governo do Estado em seu último mandato.

André, ex-prefeito de Pirambu, ex-secretário de Estado, ex-deputado estadual e federal e hoje secretário de Estado pelo Rio de Janeiro, sempre se mostrou influente, seja na Alese, seja no Congresso Nacional, onde foi líder do último Governo.

Machado fora o braço direito do falecido ex-governador. Foi seu vice-prefeito em Aracaju, foi seu secretário de Obras no Estado, foi deputado estadual e foi destacado deputado federal pelo então PFL, influente na cúpula do então Democratas.

Após o ciclo de governos do PT encerrado pelo golpe de 2016, o governo tampão de Michel Temer com a participação do DEM e o atual governo de Jair Bolsonaro, também com parte do DEM em sua base, compreendeu-se pelo partido que elegeu Bolsonaro, o PSL e o DEM, que os dois se fundiriam para gestar uma alternativa de centro, ou centro direita, para o Brasil.

Questões suscitadas pela fusão: personalidades do DEM tem a identificação praticamente de uma vida com o 25 desse partido e seus eleitorados também; 2018 revitalizou parte do tamanho do Democratas devido a onda de antipetismo que elegeu Bolsonaro; o fundo partidário do PSL interessa às possibilidades de financiamento eleitoral do DEM; há uma parte do DEM que é bolsonarista e uma parte do PSL que ainda se mantém com o atual presidente da República; a janela partidária que virá nesse ano promete filiar uma quantidade considerável de figuras ao União Brasil.

No interior do Estado há nomes interessantes bem citados para a disputado da Alese, da Câmara Federal e do Senado. Fala-se no atual presidente da Fames, Christiano Cavalcante, para a Alese; na senadora Maria do Carmo e na força de seu apoio para quem pode sucedê-la no Senado, bem como de sua filha Ana Alves e de José Carlos Machado para a Câmara Federal. Sem contar a expectativa de André quanto à possibilidade de pleitear o Senado ou a Câmara Federal ou num segundo plano apoiar sua filha Yandra.

Diz-se que está faltando diálogo entre Machado e André Moura e enquanto esse último já está de corpo e alma no agrupamento do governo, o que ainda resta do “DEM raiz” ainda não se pronunciou acerca de onde estará em 2022.

O fato é que por André estarão todos com o candidato de Belivaldo. Por ora, o que sabemos é que embora em breve essa fusão seja consolidada legalmente, no momento o que há é muito Brasil, mas pouca União.

[*] É cientista social, analista político, professor e membro da Academia Capelense de Letras e Artes.

 

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