Aparte
Opinião - Não é Augusto Matraga, mas a hora e a vez são de JB

[*] Rômulo Rodrigues

Apenas fazendo um vínculo literário com o imortal Guimarães Rosa, digo que meu personagem de hoje sabe que o que a vida quer da gente é coragem. E isso ele tem, teve e terá.

Por desatenção, teimosia ou ímpeto, não tem dado a devida atenção a outro imortal, Sidarta Gautama, que recomendou saber esperar, ter paciência e entender lição para o ano de 2022.

Se seu grande ídolo Luiz Inácio Lula da Silva perdeu três eleições seguidas para presidente da República para depois vencer a quarta e a quinta e eleger sua sucessora na sexta e na sétima, é tão somente paciência o que lhe falta para vencer na terceira tentativa de chegar ao senado.

Preciso dizer que estamos falando de Jackson Barreto? Vamos inserir outro ingrediente no cardápio eleitoral da páscoa: se a coragem já o fez dar um passo, gente e a impaciência o fizeram dar dois passos atrás, quem agora chega para impulsioná-lo na grande marcha é a Lei do Desenvolvimento Desigual e Combinado das Sociedades de Marx e Engels.

Os fatos são tantos e se combinam de tal maneira que dão sinais de uma grande vitória, e de olho em tudo vamos descobrindo o caminho de Santiago que vai levar dezenas de milhares de votantes a igual número de eleitores.

Tendo o cuidado de não revelar todos os segredos, alguma coisa pode ser dita: como a de que dos quatro primeiros colocados na eleição para senador em 2018, JB será o único que estará na disputa atual. E o fará com um piso inicial de 200 mil votos - sim, ele quase não teve segundo voto naquela eleição.

Dos atuais prováveis concorrentes, digamos que três - Eduardo Amorim passou dos 600 mil em 2010, quando teve como estratégia captar o segundo voto e de lá para cá vem em curva descendente acentuada e ainda teve seu partido tomado por um delegado de polícia. Embarcou na canoa de Aécio Neves e vem sentindo o peso da lei do retorno.

Laércio Oliveira, bolsonarista juramentado e com o histórico de ter sempre votado contra a classe trabalhadora em todas as pautas, com destaques para a reforma trabalhista que retirou vários direitos, a reforma da Previdência, que dificulta a aposentadoria e foi relator da famigerada lei da terceirização. que impõe regimes análogos à escravidão, legislando em causa própria e, se for eleito vai dificultar o futuro Governo Lula e com o TCU na sua cola. Votar em Laércio é não ter certeza da validade do voto.

A delegada Daniele Garcia precisa ser alertada de que aquela revoada de aves de rapina bolsonaristas, moristas e fascistas que elegeram delegados e oficiais de polícia para o Congresso Nacional em 2018 foi uma enxurrada que provocou e ainda provoca estragos irreparáveis na vidas dos brasileiros e que seu bom desempenho na disputas da Prefeitura Municipal de Aracaju já são águas passadas e que não vão mais mover seu moinho eleitoral em 2022.

Se mesmo assim quiser ser bem-sucedida, Danielle terá que esconder os retratos em preto e branco de Sergio Moro e Deltan Dallagnol junto com seu passado lavajatista e apelar para um milagre de ter uns 200 mil votos.

Os três, por mais que encham os pulmões com o oxigênio que faltou na pandemia por culpa do governo que apoiaram, respirem e contratem personal e recebam carinhos midiáticos, não estarão em condições físicas e mentais para atravessar um longo terreno que lhes é adverso pela própria natureza.

A maratona que se avizinha vai cobrar desses competidores algo que não têm, nunca tiveram e pelo que sentem verdadeira ojeriza: a batalha pelo resgate da democracia usurpada e vilipendiada e antagônica a seus princípios autoritários.

São todos - Eduardo Amorim, Laércio Oliveira e Danielle Garcia - avalistas do genocídio de 670 mil mortos pela Covid-19, pelas compras de Viagra, leite condensado, próteses penianas, picanhas e cervejas feitas pelos sanguessugas do povo brasileiro.

Sergipe vai saber quem tem exatos 50 anos de lutas renhidas pela democracia, pois para ele viver é lutar. E quem souber fazer política com a história na mão que tome chegança.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

PS - “A hora e a vez de Augusto Matraga” é título de um dos contos do livro “Sagarana” do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) que virou filme em 1965 através do cineasta Roberto Santos (1928-1987) e canção de Geraldo Vandré.

 

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