Aparte
Opinião - Na corrida da jangada, meu mestre deu a partida. É hora, vamos embora!

[*] Rômulo Rodrigues

Na olimpíada da política, o calendário começa a se impor sobre todos os atletas que vão lutar por medalhas de ouro no ano de 2022.

A tocha olímpica da de 2021 já percorre ruas de cidades do Japão e não foi fora de tempo que o governador Belivaldo Chagas mandou correr a da eleição do seu substituto ano que vem.

No seu jeitão tranquilo, dos nascidos em Simão Dias, botou a tocha na estrada sem nem sair do lugar.

Bastou dizer que fica até o final do mandato e não abre vaga para a vice-governadora Eliane Aquino assumir o posto e disputar a reeleição, como manda o protocolo.

Engana-se quem achar que esta decisão abre caminho preferencial para o senador Rogério Carvalho, que já está focado na corrida para ocupar a cobiçada cadeira antes do atual ocupante lançar o anzol com a isca tentadora.

Porém, ele é do PT, partido considerado pelos concorrentes como a bailarina de Chico Buarque.

Pois não é que nas entrelinhas de uma matéria num conceituadíssimo portal jornalístico da capital do Estado está insinuado que a vice-prefeita de Aracaju já está em ritmo de aquecimento para assumir o comando da capital em abril de 2022?

Daqui a 12 meses, todas as chamadas definições políticas ou acordos entre equipes competidoras já estarão celebrados e à espera da data final para os devidos registros legais.

O governador Belivaldo Chagas, devoto de Nossa Senhora Sant’Ana, como eu, sabe que as bênçãos da padroeira, mãe de Maria, só cairão sobre os devotos que respeitarem uma máxima sertaneja: “A fruta só dá no tempo”.

Como homem do interior, fiel aos prenúncios de inverno ou de seca, que sabe ler as pedras filosofais dos Urais e dos Murais; deve ter sentido que foi chegada a hora de dizer que acabou o recreio e que iniciou o tempo de todos se prepararem para as provas finais, que daqui a pouco os pontos serão sorteados.

O que já está clareando no horizonte, entre trovões e relâmpagos, que mostram suas forças no quebrar da barra, ficou cada vez mais visível que há vetos a qualquer candidatura majoritária do Partido dos Trabalhadores.

Vetos em obediência a uma tese, que não é do governador, jogada como, sem qualquer querer querendo, em fins de 2014 e que hoje se sustenta em argumentos ridículos que são propagados de que houve rompimentos com os lançamentos das candidaturas a prefeito em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Itabaiana e Estância, pelo PT.

Pura invencionice de quem não acompanha, com inteligência, o andar da carruagem de uma sociedade pulsante.

A CPI da Covid-19, que apura roubalheira de milico na compra de vacinas, está no centro da conjuntura política e mostra um desejo enorme, nas forças vivas da sociedade civil organizada, de colocar os escudos protetores da democracia como anteparos às bravatas autoritárias dos que querem mandar e mamar no país, sem respeitar o contraponto da disputa das ideias para aperfeiçoar o regime democrático.

Como estou falando, intrinsicamente, do Estado de Sergipe, ouso dizer que não existe espaço reservado a qualquer partido único e, acima das opiniões publicadas, vai aparecer, no tempo certo, o fenômeno que poderá estremecer o ambiente calmo, tão desejado, mas, que aparenta ter rachaduras capazes de quebrar a calmaria reinante.

Foi com muita sagacidade que o governador botou a jangada ao mar, dizendo que quem quiser navegar fique à vontade, que as águas não têm dono. Pescadores experimentados, os deputados federais Fábio Mitidieri e Laércio Oliveira içaram suas velas e saíram do porto do silêncio com todo o vigor.

Como leigo em assuntos de gente grande e tentando entender o que se passa, já ouvi inúmeras vezes, uma canção bem suave aos meus ouvidos, cantada em inglês, cujo título da letra é “outside”, palavra que está escrita em vários ambientes da cidade, como se fosse do nosso vocabulário e que não sei direito o que significa.

Não é, mas poderá ser o desequilíbrio da eleição de governador em 2022. Quem viver verá!

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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