
Poema Adélia Prado/Ilustração Ronaldson
No mesmo prato
O menino, o cachorro e o gato.
Come a infância do mundo.
(A poesia tem este dom de, sociologicamente, dizer tudo e muito mais com escassas palavras. Neste “Roça”, nossa Adélia Prado foi abusivamente profunda. Em três versos e usando 15 palavras - contando com os artigos -, ela disse com densidade abissal o que um romance social gastaria mil páginas pra dizê-lo. Com este pequeníssimo-grande poema, dona Adélia está a nos advertir, portanto, que poesia não é coisa para fracos e nem eunucos afetivos. Sem afetação, este poema valeria um Nobel de Poesia. E que prestemos mais a atenção na infância carente e aviltada do mundo. Quanto à autora, vou cometer o nada recomendável conceito do “dispensa apresentação”. Digo apenas que este seu poema é parte do livro “O Coração Disparado”, o segundo da sua grandiosa e sempre premiada obra. Para estar aqui, “Roça” é uma a escolha feita pelo poeta Jozailto Lima, que também sabe de roças e de infâncias pobres).

















