Politica & Mulher
Austrália oferta incentivo financeiro para que mulheres deixem maridos agressores

Austrália cria pacote de investimento para incentivar mulheres 

Nos últimos anos, o governo australiano tentou lidar com a violência doméstica e familiar com uma série de planos nacionais, mas as taxas continuam altas: uma pesquisa de 2018 feita pela organização nacional de pesquisa da Austrália revelou que um em cada cinco australianos acredita que exemplos de violência doméstica são “reações normais ao estresse e à frustração do dia a dia”.

Para tentar fazer as taxas baixarem, o governo criou um pacote de 484 milhões de dólares australianos que inclui 75 novas casas de refúgios para mulheres equipadas com salas para audiências, cozinhas comunitárias e playgrounds.

O governo australiano está oferecendo pagamentos únicos em dinheiro para ajudar vítimas de relacionamentos violentos a abandonarem seus parceiros.

As vítimas podem solicitar o pagamento de 5 mil dólares australianos, o equivalente a mais de R$ 20 mil, que inclui dinheiro em espécie e pagamentos diretos de despesas como taxas escolares.

O programa é aberto a todos os gêneros. No entanto, espera-se que as mulheres constituam a maior parte dos requerentes em um país onde uma mulher é morta pelo parceiro a cada nove dias, de acordo com dados do governo.

Apesar de controversa – já que é voltada a um sintoma e não à causa do problema e também tira a mulher e não o agressor da própria, a iniciativa pode surtir certo efeito, já que a Austrália tem uma pontuação baixa nas classificações internacionais de igualdade de gênero, o que pode contribuir para uma dinâmica de poder desigual nos relacionamentos e tornar as mulheres economicamente vulneráveis.

O Relatório Global de Gênero 2021 do Fórum Econômico Mundial classifica a Austrália na posição 50 – bem abaixo dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Nova Zelândia. Com 13,4%, a disparidade salarial de gênero na Austrália está em um nível recorde, que pode ser fruto da disparidade econômica na Austrália ampliada pela pandemia.

Se a medida será positiva ou não; se resolverá a questão a se destina, ninguém sabe ainda. Mas o que fica é que países mais desenvolvidos estão buscando cada vez mais atuarem sobre a desigualdade econômica de gênero, problema para o qual o Brasil – gigante nesse quesito – ainda não acordou.

 

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