Politica & Mulher
Linda lamenta reprovação de projeto: “Transfobia enraizada”

Linda: “É um projeto que, por si só, já ajuda na desconstrução de preconceitos”

A Câmara de Vereadores de Aracaju rejeitou, em primeira votação, por oito votos contra, sete a favor e duas abstenções, o Projeto de Lei de n° 7/2021, com emendas, de autoria da vereadora Linda Brasil, PSOL, que incluía a semana da visibilidade trans, sempre na última semana do mês de janeiro, integrando o dia 29 de janeiro no calendário oficial de eventos da cidade de Aracaju.

“Lamentamos o que houve aqui na Câmara Municipal de Aracaju hoje, percebemos como a transfobia ainda está enraizada nas pessoas. E na não aprovação deste projeto notamos uma ação orquestrada, fruto do fundamentalismo religioso e reacionário, um Projeto que iria modificar positivamente a sociedade, colocando no calendário da cidade uma data importante”, denuncia Linda.

De acordo com a vereadora, primeira trans eleita em Aracaju, a lei seria um instrumento a mais de luta de um segmento invisibilizado e, portanto, seria fundamental para a discutir e cobrar políticas públicas para esta comunidade. “Isso só mostra o quanto temos pessoas que se colocam consciente ou inconscientemente alinhadas ou reféns do discurso de ódio à nós”, critica Linda.

A parlamentar lembra que, nos últimos anos, dezenas de mulheres trans foram mortas na cidade. Em todo Brasil, no ano passado 175 pessoas trans foram mortas. Só nos quatro primeiros meses deste ano, foram 56 assassinatos – sendo 54 mulheres trans/Travestis e 2 homens trans/Transmasculinos, de acordo com relatório da Antra – Associação Nacional de Travestis e Transsexuais.

O Projeto de Lei atuaria como forma de contribuir para evitar estas violências. “É um projeto que, por si só, já ajuda na desconstrução de preconceitos e estimula o poder público a realizar debates e promover ações que defendem a vida desta população”, ressalta a vereadora.

Entre as pautas prioritárias dos movimentos sociais e LGBTQIA+, o Dia da Visibilidade Trans representa, segundo Linda, a luta pelo direito de existir, de um segmento que está entre as maiores taxas de homicídio do país. Dessa forma, a data tem como objetivo promover reflexões sobre a cidadania das pessoas travestis, transexuais e não-binárias.

Essa data foi escolhida porque nela houve um marco histórico para esta população, com o lançamento oficial da campanha “Travesti e Respeito”, promovida pelo Ministério da Saúde, em 2004, que se tornou um marco para a luta protagonizada por militantes travestis históricas. Pelo visto, a luta continua necessária e injusta.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.