Politica & Mulher
Mulher não precisa de horário específico para vacinação e sim de menos homens machistas no poder

Assessoria informou que fala de Gilberto foi em tom de “brincadeira”: qual a graça mesmo?  

Estima-se que atualmente exista cerca de quatro milhões a mais de mulheres em relação à quantidade de homens no país. De acordo com o último Censo do IBGE, em 2010, o percentual de mulheres era 51%, enquanto o de homens era de 49% do total da população brasileira.

Essa desigualdade quantitativa entre os gêneros ocorre principalmente em virtude da maior expectativa de vida feminina, que, segundo o IBGE, é de sete anos a mais do que os homens no país. Além disso, enquanto a expectativa de vida das mulheres é de 78,6 anos, a expectativa de vida da população masculina é de 71,3 anos.

Isso ocorre porque as mulheres, na maioria das vezes, possuem hábitos mais saudáveis do que os homens, além de procurarem com mais frequência acompanhamento médico, o que permite a identificação e o tratamento de possíveis doenças.

Outra mudança que afeta a população feminina do Brasil é a sua maior participação social. Nas últimas décadas, a mulher tem conquistado uma maior autonomia social, sendo cada vez mais comum mulheres chefiando famílias e ingressando no mercado de trabalho.

É por tudo isso que se faz necessário abolir pessoas como Gilberto Albuquerque, presidente da Fundação Municipal de Saúde de Teresina, de cargos de chefia. Ele afirmou, nesta segunda-feira, 14, que a organização dos horários da vacinação contra a covid-19 na cidade seria "para as mulheres voltarem logo pra fazer a comida cedo".

A declaração foi dada em entrevista à TV Clube, afiliada Rede Globo no Estado do Piauí. O repórter havia questionado o presidente da Fundação a respeito dos horários de vacinação contra a covid-19 na cidade, que estão divididos entre mulheres no período da manhã, das 9h às 13h, e homens no período da tarde, das 13h às 17h.

Segundo nota da Fundação Municipal de Saúde de Teresina, a escolha da priorização das mulheres na vacinação se deu devido ao “reconhecimento por elas terem o dom da vida”. A respeito da fala do presidente, a assessoria informou que “a declaração foi em tom de brincadeira e reconhecimento de que as mulheres exercem mil funções no seu dia a dia, seja como profissionais, mães, donas de casa, filhas, avós ou netas”.

O fato é que a fala de Gilberto – que, infelizmente, poderia ter qualquer outro nome aqui, porque todos, em algum momento da vida, já fizeram esse tipo de piada – nega todos esses avanços alcançados com muita luta, reduzindo a existência feminina a apenas uma das muitas atividades que ela pode exercer. Falas como essa são extremamente preconceituosas, desnecessárias e um verdadeiro desserviço à sociedade que precisamos construir.

 

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