Politica & Mulher
Brasil tem mais de 240 mil denúncias de abuso psicológico

Violência psicológica aumenta significativamente em um ano

Um levantamento feito pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, divulgado no início do mês, aponta 246 240 registros de violência psicológica no Brasil no ano passado. Em 2019, quando a métrica era menos precisa, foram 3 887 violações. Entram nesse rol impressionante as denúncias de ameaça, assédio moral, constrangimento, exposição e tortura psíquica feitas nos canais oficiais da pasta que indicam o algoz, seja namorado, marido ou companheiro.

Os dados divulgados no mês passado pela Casa da Mulher Brasileira também mostram aumento nos índices de atendimentos às mulheres feitos na unidade no último ano. O maior índice de violência é a psicológica, com 3.379 atendimentos, seguido da física com 1.810, moral com 1.379, sexual com 290 casos e cárcere privado com a contabilização de 115 casos atendidos.

O Centro Humanitário de Apoio à Mulher – Chame – também divulgou dados que mostram que entre os meses de março e dezembro de 2020 foram realizados cerca de 800 atendimentos pelo Zap Chame na capital, no interior e de outros Estados. Destes, 47% foram mensagens referentes à violência doméstica.

Indício numérico de que violências como essas saem das sombras é o aumento das buscas da expressão “relacionamento abusivo” no Google: 1 000% nos últi­mos cinco anos, 300% só em 2020, com picos de 500% cada vez que uma mulher famosa fala publicamente sobre o tema. 

“Nesse tipo de relação, o agressor manifesta afeto, demonstra fragilidade, e a vítima sente culpa quando pensa em terminar ou denunciar”, alerta a psicanalista Vera Iaconelli. Em 2015, movimentos como Meu Primeiro Assédio e MeToo abriram a comporta dos segredos represados e promoveram, nas redes sociais, em documentários, reportagens e programas de TV, uma enxurrada de denúncias de assédio sexual e violência física, que devem ser anunciadas à rede de proteção à mulher.

 

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