Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Opinião - Sesc: democratizando os saberes e fazeres artísticos e culturais 
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[*] Aparecida Farias

Respeitar e promover a diversidade cultural atribuindo às manifestações culturais e práticas sociais de todos os grupos igual valor e relevância, como forma de garantir pleno direito à prática e fruição da cultura, é uma premissa que norteia a atuação do Sesc em Sergipe. 

Amparado nesta premissa a instituição publicou no último dia 15, o edital de credenciamento Redes Culturais do Sesc em Sergipe, com o objetivo de selecionar propostas educativas e de fruição artística, obedecendo a critérios claros e específicos, fortalecendo desta forma profissionais da cadeia produtiva da cultura sergipana.

O edital convida 58 categorias profissionais a enviarem propostas que poderão ser inseridas no Plano de Trabalho do Sesc. De forma inédita, a entidade inseriu no credenciamento as categorias mestres/mestras de grupo de tradição, grupos indígenas ou de matriz afro-brasileira, grupos folclóricos, de capoeira, repentista, embolador, cordelista, capoeirista, percussionista e mais 13 segmentos. Para essas categorias, o edital de credenciamento não exige graduação e isso é colocado de forma transparente pela instituição. 

Já para instrutores de cursos, oficinas, palestras, debates e artista com conjunto expográfico conceitual, o edital pede graduação e/ou especialização. Porém, para artes plásticas e/ou visual, a instituição solicita formação superior sem especificação da área, por entender que a expressão artística não está atrelada a um campo do saber.

Desde a sua publicação a instituição já recebeu 245 propostas, número bastante expressivo se comparado há anos anteriores. Deste universo, apenas 12 proponentes enviaram e-mail para a comissão, no intuito de retirar dúvidas referentes às formalidades do edital.

Isso reflete a clareza do documento, divulgado amplamente nas redes socais e os esforços dos dirigentes ao criar uma plataforma online para facilitar o acesso das pessoas que moram na capital e no interior do Estado, além de garantir o distanciamento social nesse momento pandêmico.

O Sesc é uma instituição de natureza jurídica, de direito privado, sem fins lucrativos, mantido por empresários do comércio, criado através do Decreto Lei nº 9.853/46. Os recursos possuem natureza de contribuição parafiscal e advém de recolhimento, incidente sobre a folha de pagamentos das empresas, enquadradas nas entidades sindicais subordinadas à Confederação Nacional do Comércio - CNC, por uma determinação do Decreto nº 61.836/46, devidamente recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Tendo como objetivo estabelecido no referido decreto, que é o de promover o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores do comércio de bens, serviços, turismo e público em geral.

Galeria Sesc vai suprir as necessidades e demandas que a antiga já não conseguia. Ficará na rua Senador Rollemberg, 77, exclusiva para as artes

NOVA GALERIA DE ARTE - Embora alguns serviços e atividades do Sesc tenham sido reabertos após a liberação do Governo, as exposições individuais ou coletivas em artes visuais não foram retomadas, visto que o espaço localizado dentro da Unidade Centro, já não respondia as necessidades dos expositores por inadequação às propostas de mostras, instalações e mediações, assim como também de modo urgente o acervo que estava em local inadequado, dentre outros.

Depois de quase dez anos em um local que não atendia a expectativa dos artistas, com uma visão macro sobre a área de cultura, o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac e presidente do Conselho do Sesc, Laércio Oliveira, designou que a Direção Regional do Sesc reunisse a equipe e pensasse em um projeto arquitetônico para construção de uma nova galeria moderna e que contemplasse os anseios dos artistas. 

Assim foi feito e desde o ano passado o Sesc está construindo, com recursos próprios, uma nova Galeria de Artes para suprir as necessidades e demandas que a antiga já não conseguia. O espaço localizado na Rua Senador Rollemberg, n. 77, terá funcionamento exclusivo para as artes. O projeto arquitetônico moderno oferece respostas às demandas contemporâneas como iluminação e climatização. Além da sala de exposição e guarda de acervo, um Atelier e um Café irão compor o equipamento, que em breve entrará no mapa cultural da capital, como um ponto de encontro e entrelaçamento artístico.

Não seria exagero afirmar, que tudo isso espelha o olhar da gestão do presidente Laércio Oliveira, e o lugar em que ela posiciona o artista, a produção, a circulação, fruição e o consumo da arte, potencializando caminhos que desaguam na democratização dos saberes e fazeres culturais e artísticos.

Grande show do cantor e compositor Mestrinho no Aldeia Sesc de Artes

EVENTOS CULTURAIS DO SESC -Todos os anos é realizado o Aldeia Sesc de Artes, projeto do Sesc Sergipe, que em 2019 alcançou mais de 10 mil espectadores, durante os 16 dias de muita cultura e arte que tomou conta da programação cultural de seis cidades, invadindo as unidades do Sesc, centros culturais, museus, praças, comunidades quilombolas, escolas e outros tantos espaços públicos.

O Aldeia Sesc é um dos eventos mais citados pelo presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, Laércio Oliveira, pela sua dinâmica e valorização cultural, desde a sua concepção. Em 2019, foram 76 apresentações artísticas escolhidas por edital (como todos os anos), que o público teve o prazer em acompanhar atento as performances de 20 grupos de tradição, 15 grupos de teatro, 10 shows musicais, seis exibições de filmes, cinco grupos de dança, duas oficinas de arte, dois grupos circenses, uma exposição literária e duas rodas de conversa, tudo isso oferecido ao público gratuitamente.

Além do tradicional Cortejo Folclórico que abriu a festa envolvendo os comerciários desde a praça dos mercados até culminar na Praça Fausto Cardoso com o belíssimo show do consagrado artista sergipano Mestrinho e do Grupo Vocal Vivace. Os 18 grupos desfilaram pelo centro comercial de Aracaju, atraindo turistas, lojistas e clientes, colorindo as ruas e exaltando a cultura sergipana.

O Aldeia Sesc de Artes não foi realizado em 2020 pela natureza do evento que é aberto com cortejos e apresentações não caberia acontecer em um período em que ainda estamos vivendo, que é de pandemia. Atendendo todos os decretos governamentais e preservando a saúde de todos, vários projetos culturais e artísticos não foram realizados presencialmente, mas o presidente Laércio Oliveira, determinou que o Sesc caminhasse adequando a nova realidade e fez o possível para levar lazer, cultura, educação assistência e saúde por meio de lives, webinar, vídeos e conferências.

Como exemplo, o Sesc na área de Cultura elaborou o projeto Pôr do Som, que é exibido aos sábados, as 17h, pelo Youtube do Sesc Sergipe, contemplando nossa área musical, inclusive mostrando os talentos da casa. Todos os nossos eventos e ações em todas as áreas, de forma digital, estão em nossos canais: Youtube:  www.youtube.com/sescsergipe no Instagram @sescemsergipe no Facebook: www.facebook.com/sescemsergipe e no site https://sesc-se.com.br    

A diretora regional do Sesc, Aparecida Farias, entregando a premiação ao cantor Pedro Luan, primeiro colocado do Sescanção 2019

SESCANÇÃO - Em 2019, o Sescanção, a maior mostra de música de Sergipe, foi realizado no Teatro Atheneu e transmitido pelas nossas redes sociais. A apresentação que celebrou o sentimento de sergipanidade invadiu o palco tomado por fortes emoções sensoriais musicais oriundas dos seis finalistas da mostra. Carla Costa, Mamah, Manifestação, Maria Cristina, Pedro Luan e Rayra Mayara que deram um brilho especial ao grande evento, diante de uma plateia que lotou o teatro.

O clima de apreensão era grande até o anúncio dos três vencedores que ganharam a premiação de R$ 10 mil, patrocinada pela Fecomércio. Uma ideia do presidente em ter uma premiação em dinheiro para incentivar ainda mais os artistas. Ao receberem o resultado, todos os músicos das seis performances artísticas comemoraram com Pedro Luan, Mamah e Manifestação a conquista dos prêmios de R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. 

O cantor e compositor Neu Fontes foi homenageado pelo Sistema Fecomércio/Sesc/Senac pelo seu trabalho em defesa da cultura, música e arte no estado. Fontes apresentou sucessos de sua trilha musical e agradeceu ao sistema pela homenagem e curvou-se para o público, rendendo-lhe sua gratidão. 

O presidente Laércio Oliveira sempre frisou que o Sescanção é um evento que marca o cenário musical sergipano, com sua alta capacidade de descoberta de talentos, de estímulo à música sergipana e à cultura do nosso Estado.  

Teatro Sesc Sergipe: projetado ao lado do Hotel Sesc Atalaia

TEATRO SESC - Para contemplar ainda mais a área cultural sergipana, o Sesc vai construir o Teatro Sesc Sergipe. Mais uma obra da gestão do presidente Laércio Oliveira, que ouvindo o clamor dos artistas sergipanos começou a pesquisar espaços e estudar um local adequado. 

O planejamento desta obra foi iniciado em 2019, com o projeto arquitetônico pronto e em fase de aprovação junto aos órgãos competentes, licitando os projetos complementares, para compatibilização e aprovação também junto aos órgãos, em atendimento a legislação vigente.

Após as devidas aprovações, será feito o processo de licitação para a execução da obra tão esperada por toda sociedade e, por que não dizer, de todos os artistas sergipanos com ou sem formação acadêmica.

O Sesc Sergipe foi, é e será uma das mais importantes portas de entrada para o artista sergipano. O que a gestão do presidente Laércio Oliveira prioriza é dar dignidade ao fazer de todos em todas as áreas que competem ao Sistema como um todo, pensando de fato nas pessoas. 

Para finalizar, o presidente Laércio Oliveira torna público que há equívocos nos argumentos do texto do artista visual Antônio da Cruz, postado neste Portal JLPolítica.com.br e afirma que não tem nenhuma sintonia com a realidade do trabalho realizado pelo Sesc em Sergipe, que nessa gestão pensa e trabalha para contemplar todas as áreas.

Laércio Oliveira aproveita a oportunidade para convidar o artista visual integrante do Fórum Permanente de Artes Visuais, membro da Academia de Letras de Aracaju e conselheiro do Conselho Estadual de Cultura de Sergipe Antônio Cruz para uma visita às instalações na sede da instituição, localizada na rua Dom José Thomaz, 235, São José, para conhecer de perto todos os projetos e ações do Sesc e se coloca à disposição para esclarecer qualquer dúvida.  

[*] É advogada e diretora regional do Sesc.

 

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Cicero
A advogada e diretora regional do Sesc Sergipe está equivocada quando diz que as categorias mestres/mestras de grupo de tradição, grupos indígenas ou de matriz afro-brasileira, grupos folclóricos, de capoeira, repentista, embolador, cordelista foram inseridas de forma inédita em edital do Sesc. Outras edições já traziam essas categorias. Não entendo como uma entidade que tem como premissa "respeitar e promover a diversidade cultural atribuindo às manifestações culturais e práticas sociais de todos os grupos igual valor e relevância, como forma de garantir pleno direito à prática e fruição da cultura" é capaz de FECHAR UMA GALERIA DE ARTE por quase um ano, DEMITIR EM PLENA PANDEMIA a técnica em Artes Visuais desta Galeria inclusive com documento afirmando que não há nada que desabone sua conduta na instituição e, ao mesmo tempo, demandar a construção de outra galeria. É, no mínimo, estranho e contraditório. Se a instituição prevê o fechamento de uma galeria e a abertura de outra, onde está a premissa do respeito e da promoção? Interromper anos de atividades sistemáticas e de referência em artes visuais, além de desrespeitar o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda com aplicação durante o estado de calamidade pública. No meu entender, o Sesc vai na contramão sim de suas premissas. Gostaria de perguntar à advogada e Diretora do Sesc Sergipe se houve contratações de novos profissionais durante a pandemia. Eu soube que sim. A quem interessa demitir uns e incluir outros, mesmo sabendo do momento pandêmico que vivemos? Gostaria também de perguntar à advogada e diretora regional do Sesc porque ela não concentrou esforços na contratação dos artistas sergipanos para se apresentarem no Projeto Pôr do Som. Um ou outro foi convocado para se apresentar. Os funcionários do Sesc Sergipe, inúmeras vezes, foram os que estavam se apresentando, mas sabemos que estes recebem seus salários todo mês. Os artistas sergipanos poderiam estar lá, recebendo seus cachês, mas o Sesc, com o pretexto de "mostrar os talentos da casa", deixa de repassar os cachês aos artistas e coloca seus funcionários para mostrarem seus talentos. Fico me perguntando se esses funcionários talentosos, em seus contratos de trabalho, tem lá escrito "músico". Será que a advogada e diretora do Sesc refletiu se esta atitude (que se repetiu várias vezes) pode se caracterizar como desvio de função? Por último, usar a desculpa da pandemia para não realizar o Sescanção e o Aldeia Sesc de Artes, sendo que a instituição recebeu recursos do Departamento Nacional do Sesc (DN) para realizar e não realizou, é lamentável. Mesmo que não fosse realizado com recursos do DN. Vimos a Funcap e a Funcaju promover diversas ações virtuais e o Sesc perdeu esse bonde, essa oportunidade. Ficou esquecido, buscando um raio de luz do pôr do sol. Simplesmente não deu a atenção devida aos artistas no momento em que eles mais precisavam. Não dou parabéns a Laércio Oliveira (Presidente do Sesc) e a Diretora Regional do Sesc (Aparecida Farias). A instituição não conta com uma Direção de Programação e a Coordenadora de Cultura Rita Simone se vê na triste responsabilidade de assinar um documento de credenciamento que ignora a possibilidade de artistas autodidatas de exporem na "nova" Galeria do Sesc. Ou se tem graduação em qualquer área como por exemplo, Biologia, Matemática e Zoologia, ou você não expõe. Me desculpe, Sra. Advogada e Diretora Regional do Sesc Maria Aparecida Gonçalves Farias, mas o grande artista Antônio da Cruz está corretíssimo e embebido de lucidez! O grande equívoco é o que vocês estão fazendo com o Sesc Sergipe: demitindo excelentes profissionais do Programa Cultura. Ah! Talvez tenha sido por isso que grandes projetos como o Aldeia Sesc não tenha saído.
Marcos
Seria interessante o SESC enviar um e-mail após o credenciamento, um resumo do formulário.
Léo Mittaraquis
Parabéns ao senhor Presidente Laércio Oliveira e à senhora Diretora Regional Aparecida Farias pela brilhante e essencial iniciativa. Os critérios constitutivos do processo de seleção das propostas são, de fato, claros e específicos. Trabalho louvável, que deve ser valorizado, notadamente, neste ano de 2021, durante o qual deveremos buscar a recuperação das ações afirmativas nas mais diversas áreas e nos mais diversos segmentos. Léo Mittaraquis: professor de Filosofia (licenciatura/UFS); mestre em Educação (UFS)