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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Sul e centro-sul de Sergipe se movimentam para ter mais deputados em 2022
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Fábio Reis: um mandato com base eleitoral no sul

Mais do que qualquer outra região do Estado, o sul de Sergipe - compreendendo as duas dimensões geográficas de sul e centro-sul -, sempre teve uma importância saliente na composição da política estadual. Deu as cartas.

Municípios como Estância, Itabaianinha, Tobias Barreto, Simão Dias, Lagarto, Boquim e Itaporanga costumam vir com boa e alta dimensão para a esfera legislativa - sobretudo na da Assembleia Legislativa.

E o fazem sem encontrar par e parelha no Estado inteiro, no qual sobressai apenas a velha e potente Itabaiana, no agreste. Mas há quem veja, no entanto, que o sul e o centro-sul, embora ainda bem representados, estariam hoje mais fragilizados. Carentes de melhorar sua performance representativa.

É uma região mais fragilizada, porém, que na última eleição estadual conseguiu mandar três dos oito deputados federais a Brasília e despachar cinco dos 24 estaduais para a Alese - além de ter um governador orginalmente filho dali, de Simão Dias, embora não tenha sido por essa origem que Belivaldo Chagas, PSD, chegou ao Governo de Sergipe. 

Diná Almeida: pela retomada de Tobias Barreto

Em 2018, com base majoritária na esfera sul, foram eleitos os deputados federais Fábio Reis, MDB, Gustinho Ribeiro, de Lagarto, SD, e Valdevan Noventa, PSC, de Estância/Arauá, e os estaduais Ibrain Monteiro, PSC, e Goretti Reis, PSD, de Lagarto, Diná Almeida, Pode, e Dilson de Agripino, PPS, de Tobias Barreto, e Janier Mota, PL, de Itabaianinha.

Há quem force a barra, colocando Maisa Mitidieri, PSD, como um nome de Boquim. É e não é. A família dela tem origem lá, mas Maisa não mora e nem milita na cidade.

Fora dessa região, apenas Itabaiana conseguiu mandar à Alese três nomes em 2018 - Talysson de Valmir, PR, Luciano Bispo, MDB, e Maria Mendonça, PSDB. A eleição do deputado estadual Dilson de Agripino, agora pelo Cidadania, a prefeito de Tobias Barreto no ano passado desfalcou a região sul.

Janier Mota: ajudou a resgatar o passado de Itabaianinha

Hoje está sendo gestado um movimento a partir do prefeito reeleito de Itabaianinha, Danilo Carvalho, o Danilo de Joaldo, DEM, para que a região se ressignifique e se represente mais e melhor politicamente em 2022. Ou seja, que mande mais deputados para a Alese e que até tenha mais um federal.

Mas, na verdade, apesar dos quatro estaduais eleitos em 2018 – não mais cinco, por causa da perda de Dilson em 2020 -, ainda há fendas e falhas na representação da região, com municípios de notáveis tradições de representatividade estando fora de cena.

Quais? Estância, Boquim, Simão Dias e Itaporanga. Os dois primeiros já chegaram a ter dois parlamentares numa mesma legislatura - como os estancianos Carlos Magno e Ivan Leite e os boquinenses Joaldo Barbosa e Venâncio Fonseca.

Ibrain Monteiro: um dos nomes que sustentam o peso de Lagarto

Desde que o deputado estadual Gilson Andrade se elegeu prefeito de Estância em 2016, a cidade ficou órfã de representação na Alese. Em 2018, através de Adriana Leite, o município tentou resgatar este espaço. Não conseguiu.

Mas se depender de uma nova geração de políticos da região, essa situação mudará em 2022. Entre eles, estão Thiago de Joaldo, de Itabaianinha, e Iggor Oliveira, de Poço Verde, PSD.

“O prefeito Danilo de Joaldo vem tendo uma conversa com os colegas pensando em fortalecer mais a região Sul. Não que fique limitado somente ao Sul, mas gestando uma ideia de que primeiro se saia com um nome forte dali, onde temos uma interação boa com os vizinhos. Estas conversas estão se dando com os prefeitos Danilo, Pedrinho de Balbino, de Tomar de Geru, Humberto Maravilha, de Umbaúba, e Adinaldo do Nascimento, de Indiaroba”, diz Thiago Carvalho, o Thiago de Joaldo, advogado e irmão do prefeito.

Thiago de Joaldo: disposto a entrar na dança, até para federal

“Eles têm trabalhado em consenso em busca dos demais prefeitos da região com o objetivo de convergir a ideia de se lançar, da região sul, um candidato a deputado estadual e outro a deputado federal. Não que seja necessariamente um desses prefeitos. Que se entendam primeiramente em torno da ideia e a partir daí que se se discuta um nome. Hoje não têm esses nomes postos ainda. O projeto é de só depois se partir para a escolha de nomes - se a maioria dos prefeitos concordar”, diz Thiago. Semana que vem eles terão uma reunião com a senadora Maria do Carmo, DEM, em torno desta pauta.

Iggor Oliveira subscreve o movimento, embora não levante crachá para um candidato especificamente de Poço Verde, mas até apresenta um nome - o de Marival Santana, PSC, prefeito de Simão Dias até o ano passado.

“Eu não sou um pré-candidato a deputado, porque estou no mandato de prefeito. Nesse momento não vejo que Poço Verde tenha essa condição, mas creio e defendo que a região centro-sul pode aumentar a importância e a representatividade na política estadual”, diz Iggor.

Marival Santana: uma sugestão de Iggor Oliveira

“Embora Poço Verde tenha potencial político, não prepararmos esse nome - eu, pessoalmente, tive de me preparar para dois mandatos de prefeito. E tem outra questão: preciso construir essa história e essa possibilidade dentro do meu partido, que é o PSD. Meu partido é grande, abrange o Estado inteiro, e eu não posso entrar numa zona de confronto - porque aí temos parlamentares como Maisa Mitidieri, Jeferson Andrade, Adailton Martins, Goretti Reis. Neste instante vejo que é preciso favorecer o PSD como um partido que me valorizou em 2020, me proporcionando voltar para um segundo mandato”, diz Iggor.

“Mas a minha tese geral é a de que o sul e o centro-sul de Sergipe devam ter mais deputados estaduais, embora não especificamente de Poço Verde. De modo que estarei ajudando para que a região possa contribuir para com todo o Estado. Entendo, por exemplo, como importante que Itabaianinha tivesse um deputado a mais. Que Simão Dias viesse com Marival Santana, que é um nome importante. Na minha região, vejo Marival como uma unanimidade. Ele é um fenômeno da região e vai surpreender. E se ele for deputado estadual em 2022, Poço Verde se sentirá representado. É um amigo-irmão da gente. Um parceirão vizinho”, diz Iggor Oliveira.

Thiago de Joaldo, que foi secretário de Educação de Itabaianinha até o ano passado, vê o movimento como importante e se coloca duplamente à disposição. “Para federal, fala-se que o prefeito de Estância, Gilson Andrade, teria disponibilidade, mas eu não sei se ele entraria no projeto”, observa Thiago.

“Eu disse para Danilo que se me coubesse escolher, eu simpatizaria muito mais com uma eleição de deputado federal, pelas possibilidades que um mandato desse traz para região - embora eu saiba que é uma eleição bem mais difícil. Não descarto a disputa estadual, mas se for uma prioridade da região, vejo federal com bons olhos”, diz Thiago. A sorte, pelo que se vê, está lançada.

 

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