Emília Corrêa: “No meu controle pessoal de gestora, um real não será desviado”

Entrevista

Jozailto Lima

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Emília Corrêa: “No meu controle pessoal de gestora, um real não será desviado”

“Quando uma mulher assume um poder, todas as demais assumem juntas”
3/1/2026-14h

Mesmo que você goste ou não goste de Emília Corrêa, 63 anos, que refute ou não a tonalidade política dela, não poderá jamais fugir ao fato de que ela está no centro de um papel histórico do qual ninguém pode tirá-la nem com um gancho: o de ser a primeira mulher a pisar o chão do poder central, a ser prefeita, da cidade de Aracaju, que vai fazer 171 anos no próximo dia 17 março e até o dia 1º de janeiro do ano passado só havia tido homens como seu gestor principal.

A própria Emília Corrêa tem mais do que consciência disso e sopesa muito bem a importância que repousa sobre seus ombros. Sabe em alto tom o peso de ter chegado onde está. E quer ser exemplo para as multidões delas, hoje substancialmente maiores que o quantitativo a deles em Aracaju - mesmo sem ser ela uma militante clássica das questões de gênero.

“Quando uma mulher assume um poder, todas as demais assumem juntas. Todas estão devidamente representadas. É como se elas se sentassem na mesma cadeira que eu me sento”, diz Emília nesta Entrevista Domingueira, na qual faz um balanço ativo do que foram seus 12 meses de gestão e do que espera vir a fazer nos 36 meses que lhe restam como a primeira prefeita da capital de Sergipe.

“Não tenho dúvida de que uma mulher à frente da gestão vai sentir melhor a dor de todas as mulheres. Eu chego a ficar arrepiada quando falo isso, porque sei que quando sento nessa cadeira, muitas mulheres me veem como símbolo. Quantas meninas e adolescentes hoje podem pensar: “Eu posso ser uma prefeita. Eu posso ser uma governadora e posso ser uma senadora?””, reforça.

“Antes era muito difícil, porque o cenário era todo muito masculino. Então, tenho absoluta certeza de que esse impacto faz com que a gente cuide mais das mulheres, as proteja mais e oportunize o empreendedorismo feminino. A gente tem trabalhado isso tanto na Fundat quanto na Secretaria da Mulher”, diz. Sem contar que há muitas mulheres no seu time de secretários e algumas delas comando os maiores orçamentos.

Mas a coisa vai bem além das demandas de gênero. Emília vai admitir aqui, por exemplo, que adotará medidas duras contra a possibilidade de corrupção em seu Governo.

“Eu não suporto ouvir falar sobre desvios ou corrupções, e se acontecer na minha gestão - espero que não aconteça -, vou adotar providências reais. Tenha certeza de que, no meu controle pessoal de gestora diretamente, um real não será desviado”, diz ela.

Afora isso, nesta longa conversa aqui Emília vai falar muito de política. Se assumirá como parte orgânica de um grupo de oposição, dirá que não fomenta CPI contra o ex-prefeito Edvaldo Nogueira, a quem tem como um gestor pouco eficaz, aprovará o modo como Ricardo Vasconcelos conduz o Legislativo da capital, dirá que o vice-prefeito Ricardo Marques não soube ser, citará nomes do seu agrupamento que podem encarnar uma candidatura de governador de Sergipe em 2026 e dará uma dica de que este projeto por enquanto não paira muito em sua aba pessoal. 

“No meu coração não está o desejo de que eu saia para disputar o Governo. Aliás, nunca quis ser prefeita. Nunca quis ser governadora. Sempre fui uma agente política. O povo também vai dizer isso. Mas no meu coração, hoje tenho que dizer: não tinha interesse em ser prefeita e foi Deus, aí é a minha fé, acredite quem quiser”, afirma

Emília Corrêa Santos Bezerra nasceu no dia 28 de julho de 1962, em Lagarto. Ela é filha de José Corrêa Sobrinho e de Orlete Corrêa Santos, ambos falecidos. O pai foi vereador e presidiu o Legislativo lagartense.

É casada com Itamar Santana Corrêa Bezerra - ele apropriou-se do sobrenome dela -, teólogo por formação acadêmica, pastor, escritor e secretário de Governo na gestão dela. É mãe de Rodrigo Corrêa Costa, 38 anos, e de Lara Corrêa Costa, 35.

Emília formou-se em Direito em 1987 pela Universidade Tiradentes e é pós-graduada em Ciências Criminais. Durante 32 anos de sua vida - entre 1988 e 2020 - foi uma defensora pública na Defensoria Pública de Sergipe, e sempre bateu bola pra valer como comunicadora - é radialista profissional - no rádio e na TV.

Até se eleger prefeita em 2024, Emília disputou seis eleições entre 2012 e 2024 -, três de vereadora - 2012, 2016 e 2020 -, uma de deputada federal – 2018 - e uma de vice-governadora ao lado de Valmir de Francisquinho em 2022.

Em 2012, Emília ficou numa suplência de vereadora e chegou a assumir o mandato, e na de federal, obteve 52.921 votos pelo Patriotas, foi a sexta mais votada entre os oito eleitos, mas por falta de quórum, não levou o mandato.

Emília Corrêa admite: licitação do transporte público de Aracaju é algo por resolver, mas já colocou 16 ônibus elétricos em ação e refrigerou 14% da frota
Emília Corrêa: no Governo dela, há esforços para reparar o déficit de arborização de Aracaju

ARACAJU DE EDVALDO, LONGE DAS MIL MARAVILHAS
“Quando recebemos Aracaju tínhamos a informação de que estava tudo muito bom, muito perfeito, às mil maravilhas. Mas não foi bem assim. Nós já começamos enfrentando o problema do lixo”

JLPolítica & Negócio - Que cidade, administrativamente falando, a senhora recebeu no dia 1º de janeiro de 2025?
Emília Correa - Quando recebemos Aracaju tínhamos a informação de que estava tudo muito bom, muito perfeito, às mil maravilhas. Mas não foi bem assim. Nós já começamos enfrentando o problema do lixo. A gente chegou e encontrou um problemaço, porque a gestão anterior parou de pagar a empresa e ela, obviamente, resolveu parar de fazer a coleta. Portanto, antes mesmo de tomar posse já enfrentei esse problema e o contornei. A de Edvaldo Nogueira foi uma gestão de fachada e era fake News dizer que era boa. Porque não era bem como foi dito. 

JLPolítica & Negócio - A senhora quer dizer que, pelo que recebeu, atesta que Edvaldo não era o gestor que ele dizia ser? 
EC - Não era o gestor que ele dizia ser. E isso, lamentavelmente, nos gerou alguns problemas, como uma cidade abandonada em pontos que eram de relevância para a comunidade. Por exemplo: uma coisa aparentemente simples, que no caso para ele não tinha, mas para mim tem relevância, foram as 206 praças de Aracaju abandonadas. Então, a gente tem aí um dado de uma cidade abandonada em muitos aspectos urbanos e também em relação à saúde. A saúde estava abandonada. A gente começou também com isso. Aracaju não cresceu e não avançou aí. Foram sempre 45 postos de saúde, quando na verdade, hoje, em pouco tempo, a gente já deu ordem de serviço para quatro postos, sendo três unidades básicas. Ou seja, encontramos uma cidade precisando ser cuidada porque foi abandonada.

JLPolítica & Negócio - Financeiramente, o seu primeiro ano de gestão lhe trouxe dificuldades de seguir em frente?
EC - Veja que eu trabalhei com um orçamento deixado pelo gestor anterior e ainda congelamos o IPTU. Diriam que a gente ia quebrar. Mas fizemos coisas que certamente não seriam feitas pelo gestor anterior, porque ele não legou um bom orçamento. Ficou claro que, dentro do orçamento que a gente tinha, fizemos muitas entregas, como na área do transporte público, que foi um marco na nossa gestão. Na área do servidor público, foi outro marco. Tudo isso com o orçamento deixado por ele. Diziam que a gente ia quebrar porque ia congelar o IPTU. E não foi assim. Quando a gente lida com seriedade com o erário, com o dinheiro público, ele corresponde sim àquilo que deve ser correspondido.

JLPolítica & Negócio - O orçamento de 2026 dará mais folga à gestão da senhora?
EC - O orçamento de 2026 já foi preparado por nós e será ou pouco mais de R$ 4,7 bilhões. Então acredito que, com certeza, alcançaremos os objetivos que a gente vai querer realizar. Eu entendo que, com o orçamento de 2026, a gente vai muito mais além, cumprindo metas do nosso plano de governo - e nós queremos cumprir. Eu tenho dito para os meus secretários que a gente tem que cumprir pelo menos 70% desse plano de governo. Com o gestor passado, imagino que foi cumprido pouco mais de 30%.

Pai e mãe, ouro de mina: Emília com Seu José Corrêa Sobrinho e Dona Orlete Corrêa Santos

UM ORÇAMENTO RUIM, OUTRO APROPRIADO
“Trabalhei com um orçamento deixado pelo gestor anterior e ainda congelamos o IPTU. Diriam que a gente ia quebrar. Mas fizemos coisas que certamente não seriam feitas pelo gestor anterior. O orçamento de 2026 já foi preparado por nós e será ou pouco mais de R$ 4,7 bilhões. Acredito que alcançaremos os objetivos que a gente vai querer realizar”

JLPolítica & Negócio - A senhora conseguiu encerrar o ano com todos os compromissos pagos? 
EC - Tem algumas coisas pendentes da própria burocracia de pagamentos, mas todos os serviços de relevância e todas as obrigações com servidores estão pagas. O servidor, contando com o décimo terceiro, a gente tem pago até mesmo antes da data. Temos promovido benefícios aos mais vulneráveis, como o AME, que é um benefício de R$ 300 a cada 30 dias, incluindo aí um décimo terceiro. Tudo dentro desse orçamento que recebemos.

JLPolítica & Negócio - Aquele velho problema da licitação do transporte público de Aracaju foi resolvido ou postergado na sua gestão?
EC - Nós consideramos que esse assunto teve um avanço total, mas a licitação em si não dependeu da prefeita. São problemas jurídicos que vinham se arrastando. A justiça se pronunciou apontando uma licitação cheia de irregularidades e de vícios. Isso foi do Tribunal de Contas ao Ministério Público, e inclusive havendo decisão judicial, da qual o Consórcio Metropolitano decidiu não recorrer. Ou seja, o que a gente dizia como vereadora, a gente também diz como prefeita: estamos no caminho certo, buscando uma nova licitação.

JLPolítica & Negócio - Então o status atual do transporte coletivo de Aracaju está dentro do campo da legalidade possível. O Governo da senhora não está na clandestinidade?
EC - Não está clandestinidade. É certo que transporte ainda continua precário, porque não aconteceu a licitação, mas a justiça está amparando isso e dando sustentabilidade a todos os argumentos que foram levantados.

JLPolítica & Negócio - Quantos ônibus elétricos a gestão da senhora conseguiu botar na frota da capital?
EC - São 15 ônibus elétricos e a gente já começou o processo licitatório para mais 15. Agora é interessante dizer que, dentro de menos de um ano, a gente estabeleceu um percentual de 14% de ônibus climatizados de toda a frota, o que nunca havia acontecido até 2024. Temos 86 ônibus hoje climatizados em Aracaju, que são aqueles 14% da frota, e a tendência é ampliar. Porque agora vem mais ônibus elétricos e também vem modelos Euro 6, que são menos poluentes. Esse é o objetivo o nosso objetivo enquanto prefeita: cuidar do meio ambiente e cuidar do conforto e da dignidade do transporte público para as pessoas, que era o maior grito na campanha e nas pesquisas.

Emília Corrêa com sua equipe recebe o governador Fábio Mitidieri com a equipe dele: na pauta, ação por um novo Centro urbano de Aracaju

DA LICITAÇÃO DO TRANSPORTE AINDA POR ACONTECER
“Nós consideramos que esse assunto teve um avanço total, mas a licitação em si não dependeu da prefeita. São problemas jurídicos que vinham se arrastando. A justiça se pronunciou apontando uma licitação cheia de irregularidades e de vícios”

JLPolítica & Negócio - Quanto isso tudo terá custado ao erário municipal aracajuano?
EC - Cerca de R$ 161 milhões. Esse é o valor que a Prefeitura de Aracaju está autorizada a contratar para 30 ônibus elétricos, os 16 carregadores e a implantação de uma usina de energia solar.

 JLPolítica & Negócio - Nestes primeiros 12 meses o Governo de Aracaju já tomou quantos milhões em empréstimos?
EC - Nos primeiros 12 meses, o Governo de Aracaju contratou R$ 197 milhões em empréstimos, todos destinados à mobilidade urbana. Foram aqueles R$ 161 milhões para ônibus elétricos, carregadores e estrutura de energia, e os R$ 36 milhões para a aquisição de ônibus Euro 6. A nossa gestão assumiu um sistema de transporte quase em colapso e deu uma resposta concreta com investimento para recuperar e modernizar o serviço.

 JLPolítica & Negócio - Isso corresponde a quanto por cento na capacidade de endividamento da cidade?
EC - Esse volume representa cerca de 6% da Receita Corrente Líquida do município. Ou seja, estamos muito abaixo do limite legal de endividamento permitido, o que demonstra equilíbrio fiscal, responsabilidade na gestão das contas públicas e segurança financeira para o presente e para o futuro da cidade.

 JLPolítica & Negócio - Quantas obras o Governo da senhora deu por inaugurada em 2025?
EC - Apenas nesse ano, entregamos 12 obras que impactaram diretamente na qualidade de vida e da mobilidade urbana. Além disso, o Programa Nossa Praça já está em vigência, reformando importantes espaços de convivência e lazer de Aracaju. Também estamos investindo em grandes empreendimentos públicos que serão verdadeiras transformações para as pessoas e que ficarão para a história da nossa cidade, como a duplicação da Ponte Godofredo Diniz, aquela do Shopping Rio Mar, e as três obras de infraestrutura na Zona de Expansão. 

Emília Corrêa com o irmão e secretário de Cultura de Aracaju Paulo Corrêa: ele faz por onde estar ali

DOS EMPRÉSTIMOS TOMADOS EM 2025
“Nos primeiros 12 meses, o Governo de Aracaju contratou R$ 197 milhões em empréstimos, todos destinados à mobilidade urbana. Foram aqueles R$ 161 milhões para ônibus elétricos e os R$ 36 milhões para a aquisição de ônibus Euro 6”

JLPolítica & Negócio - Quantas delas ainda estão em curso?
EC - Temos em torno de 40 obras em andamento, e entre elas estão reformas de escolas, reurbanização de praças e construção de Centros de Assistência Social. Iniciaremos 2026 com as inaugurações das praças da comunidade Mangabeiras e no Conjunto Lamarão. 

JLPolítica & Negócio - A gestão da senhora licitou obras para 2026 dentro da sua expectativa?
EC - Sim, licitamos e estamos para licitar obras de suma importância, como a do Hospital Veterinário de Aracaju. Esse é um pedido forte da população. Também para uma UPA da Zona de Expansão e a licitação da Casa do Neuro divergente. E isso é uma obra que estamos prometendo com muita segurança, porque vamos utilizar o repasso de recursos da Deso.

JLPolítica & Negócio - E quanto é que o seu governo recebeu da privatização da Deso até hoje?
EC - Aproximadamente R$ 435,4 milhões.

JLPolítica & Negócio - O Governo da senhora convocou concursados antigos para reforçar as necessidades funcionais da cidade. Mas fez ou fará concursos novos para oxigenar mais as carências da cidade?
EC -Faremos concursos novos sim. Convocamos 70% dos aprovados do magistério em concursos que não foram feitos por nós, e isso é muito importante que se diga. Vamos, com certeza, fazer concursos nas áreas de saúde, assistência e educação. Isso é de suma importância para nós. Também para a SMTT e para a Polícia Municipal, pois agora não é mais Guarda Municipal - estes são concursos que a gente quer realizar. Já tem uma comissão unificada para concursos estabelecida por mim por decreto. Esse levantamento está sendo feito e, com certeza, nesse ano ainda queremos estartar alguns desses concursos.

Emília Corrêa num encontro cheio de afetividades com o ex-governador João Alves Filho: ele sempre apostou nela

AS COISAS NO TERRENO DAS OBRAS
“Temos em torno de 40 obras em andamento, e entre elas estão reformas de escolas, reurbanização de praças e construção de Centros de Assistência Social. Licitamos e estamos para licitar obras de suma importância, como a do Hospital Veterinário de Aracaju. Esse é um pedido forte da população. Também para uma UPA da Zona de Expansão e a da Casa do Neuro divergente”

JLPolítica & Negócio - De que maneira a gestão da senhora encontrou o funcionalismo público de Aracaju e o que pôde ser feito de diferente nestes 12 meses?
EC - Tenho uma pegada que trago, com certeza, da minha formação como defensora pública: a da escuta. Para que eu defenda alguém nos processos judiciais, eu tive sempre que ouvir. Então trouxe isso para o Executivo. Eu venho escutando, e a gente puxou os sindicatos para ouvir, para formar e fazer juntos também com a Câmara Municipal. Dessa escuta, saiu um projeto maravilhoso: a reforma da Previdência Municipal, que estava empacada por uma irresponsabilidade da gestão passada, que devia tê-la feito. Nós fizemos a várias mãos e foi considerada a melhor Reforma Previdenciária do Brasil: sindicatos, técnicos da nossa equipe, da Câmara que participou efetivamente e também o servidor público. Ali a gente também fez uma reparação histórica para todos eles, com o piso do professor, que não acontecia, e para outras categorias.

JLPolítica & Negócio - A senhora diria então que, sob sua gestão, o servidor público municipal de Aracaju está melhor assistido?
EC - O servidor público, sob a minha gestão neste primeiro ano, foi devidamente valorizado em todos os aspectos. E têm mais categorias que a gente vai contemplar ainda durante esse ano de 2026 e nos demais anos que virão.

JLPolítica & Negócio - Hoje o efetivo de servidores municipais de Aracaju ronda em torno de quanto?
EC - São especificamente 10.809 ativos e 6.009 inativos, num total de 16.818 ao todo.

JLPolítica & Negócio - O que mudou na prática com a conversão de Maternidade Lourdes Nogueira em Hospital da Mulher e Maternidade Lourdes Nogueira?   
EC - Mudou muita coisa, e pra melhor. Aí eu digo algo para você que vale a gente historiar: fui acusada de que fecharia a Maternidade Lourdes Nogueira. Era fake total. Eu já vi fake news, notícias que não representam à verdade, mas nunca tinha visto manifestação fake 100% do nada: teve uma manifestação com mulheres públicas que abraçaram a maternidade na época da campanha para dizer que a unidade precisava ser protegida, porque se eu ganhasse a eleição iria fechá-la. Poxa! E o que eu dizia no meu plano de governo é que a gente ia ampliar os serviços. E ampliamos esses serviços, por isso que digo que muda muita coisa, porque agora a gente não cuida apenas do momento do parto da mulher. A gente cuida da saúde dela como um todo e da vida dos bebês.

Emília Corrêa em momento de sintonia com seu eleitorado feminino: para ela, uma mulher no poder traz todas as mulheres juntas

DOS CONCURSOS PÚBLICOS QUE VIRÃO
“Faremos concursos novos sim. Convocamos 70% dos aprovados do magistério em concursos que não foram feitos por nós, e isso é muito importante que se diga. Vamos, com certeza, fazer concursos nas áreas de saúde, assistência e educação. Isso é de suma importância para nós”

JLPolítica & Negócio - No campo cultural, no que a criação da Secretaria Municipal de Cultura impactou nas políticas públicas desta área?
EC - Era outra coisa que eu não entendia: como é que não tínhamos uma Secretaria de Cultura? É um paradoxo, porque não existe nada sem a valorização da cultura, sem a relevância da nossa identidade. Nisso, estávamos num vazio. Inclusive, tinha uma recomendação do Ministério da Cultura para que os municípios criassem suas Secretarias de Cultura, e fizemos isso. Com certeza gerou um impacto. Você sente agora que a classe que forma a cultura, os artistas e todos os operadores desse setor estão valorizados, lembrados e contemplados, porque existe hoje uma Secretaria de Cultura para representá-los e defendê-los. 

JLPolítica & Negócio - O secretário Paulo Corrêa está correspondendo à sua expectativa? 
EC - Paulo Corrêa era, pelo seu histórico, um cara que tinha que ocupar aquela pasta. E eu sou muito clara: não é por causa do parentesco, porque se fosse apenas por isso, eu não o chamaria. Mas eu sei do preparo e do conteúdo que ele traz consigo. Por exemplo: não existem matérias sobre cultura que não consultem o Paulo, e eu vi isso sobre ele durante toda a minha vida. Então eu acho que foi o momento exato de fazer a Secretaria e tê-lo como gestor efetivo. A Marinete do Forró foi um projeto do Paulo há tanto tempo e até hoje existe. Então, o sentimento e o conhecimento do Paulo conectaram bem com a criação da Secretaria de Cultura de Aracaju.

JLPolítica & Negócio - Nasceu de que fato, ou realidade, a necessidade de transformação do Centro Cultural de Aracaju em Palácio-Museu Luiz Antônio Barreto?
EC - Nasceu da constatação de que Luiz Antônio Barreto é um nome que foi sempre muito injustiçado e esquecido diante de tantos feitos que ele realizou. Foi esquecido solenemente ainda em vida e nestes 13 anos de falecido, o que eu pessoalmente lamento muito. E é aí que vem a conexão: chega uma prefeita que tem um sentimento de querer reconhecer figuras como Luiz Antônio Barreto e soma-se o conhecimento de Paulo Corrêa ao fato público da história dele e do esquecimento de tantos outros que passaram e que muito fizeram pela cidade de Aracaju e pelo Estado de Sergipe. Então, primeiro decidimos implantar ali algo o que o tornasse imortal e resgatasse a memória dele. Isso nasceu do meu coração e do coração do Paulo Corrêa - e é necessário que no poder público se tenha essas afetividades. A gente tem que fazer esse tipo de justiça e, com certeza, o nome Palácio-Museu Luiz Antônio Barreto causa um impacto muito grande para quem conheceu a história dele. E para quem não o conheceu, passa a conhecer por causa do nome que ali estará.

JLPolítica & Negócio - O fato de ele ser um conterrâneo lagartense influiu sobre isso?
EC - Isso também é uma maneira de honrar o nosso conterrâneo. Ele é lagartense e isso também honra todos os lagartenses. Me torna contemplada nesse sentido. Mas não apenas por isso - ele poderia ser de qualquer lugar e seria Luiz Antônio Barreto de qualquer forma. Ele e a história dele, por si só, merecem essa homenagem.

Emília Corrêa em família: com os netos, filhos de Lara - Ben no colo - e Juni, Tunai, esposo de Lara, Rodrigo e a esposa Lorena, e Itamar

GANHOS DO HOSPITAL DA MULHER E MATERNIDADE LOURDES NOGUEIRA
“O que eu dizia no meu plano de governo é que a gente ia ampliar os serviços. E ampliamos. Por isso que digo que muda muita coisa, porque agora a gente não cuida apenas do momento do parto da mulher. A gente cuida da saúde dela como um todo e da vida dos bebês”

JLPolítica & Negócio - A senhora sentiu, na prática, preconceito ou segregação como a primeira mulher prefeita de Aracaju em 170 anos de existência dela?
EC - Com certeza senti. Eu venho de uma história de onde atuei em que prevaleceu sempre a presença masculina. Na Defensoria Pública, no Tribunal do Júri, onde atuei por muito tempo, no rádio e na televisão na época em que trabalhei - principalmente no rádio -, era a presença masculina que prevalecia. Então a gente sente na pele a discriminação e a falta de se acreditar que a mulher é capaz. Todo dia a gente tem que provar nossa capacidade. Embora a gente ouça muitos discursos de homens públicos, nos Parlamentos e no Executivo, que elevam a figura da mulher, mas na prática muitas vezes acabam com essa figura. Então, isso é muito visível. Senti, sim, esse peso da questão de gênero, mas não me guiei por ele.

JLPolítica & Negócio - No seu íntimo, a senhora se sente cobrada de vir a ser uma prefeita eficaz, mais do que se fosse um homem, por ser a primeira mulher prefeita? 
EC - Eu me sinto muito cobrada e me sinto muito atacada, e exatamente sei que às vezes não é pelo que estou fazendo - porque eu estou fazendo o que deve ser feito e isso não deveria ter gênero -, mas é porque sou uma mulher. Então é como se todos se sentissem à vontade para atacar. É como se fosse uma porta aberta: “Porque é mulher, eu posso atacar e não vai acontecer nada comigo”. Isso é um mecanismo de inferiorizar e de diminuir a mulher. 

JLPolítica & Negócio - É um certo sexismo! 
EC - Sim, não tenha dúvida disso. Eu me lembro até daquela música, logicamente fazendo uma comparação, do Chico Buarque: “Joga a pedra na Geni”. O histórico da Geni é outro, mas era como se ali fosse uma mulher. 

JLPolítica & Negócio - As ações práticas do seu Governo perante as políticas afirmativas para as mulheres fazem jus ao fato de a prefeita ser uma delas?
EC - Sim. Eu não tenho dúvida de que uma mulher à frente da gestão vai sentir melhor a dor de todas as mulheres. Quando uma mulher assume um poder, todas as demais assumem juntas. Todas estão devidamente representadas. É como se elas se sentassem na mesma cadeira que eu me sento. Eu chego a ficar arrepiada quando falo isso, porque sei que quando sento nessa cadeira, muitas mulheres me veem como símbolo. Quantas meninas e adolescentes hoje podem pensar: “Eu posso ser uma prefeita. Eu posso ser uma governadora e posso ser uma senadora”? Antes era muito difícil, porque o cenário era todo muito masculino. Então, tenho absoluta certeza de que esse impacto faz com que a gente cuide mais das mulheres, as proteja mais e oportunize o empreendedorismo feminino. A gente tem trabalhado isso tanto na Fundat quanto na Secretaria da Mulher. Então, são mulheres atendidas.

Edvaldo Nogueira: para Emília Corrêa, não foi o gestor que anunciava ser, mas nem por isso ela fomenta CPIs contra ele

DAS VIRTUDES DE TER PAULO CORRÊA NA CULTURA
“Paulo Corrêa era, pelo seu histórico, um cara que tinha que ocupar aquela pasta. E eu sou muito clara: não é por causa do parentesco, porque se fosse apenas por isso, não o chamaria. Mas eu sei do preparo e do conteúdo que ele traz consigo”

JLPolítica & Negócio - Algumas leis importantes foram sancionadas neste primeiro ano de gestão, sobretudo no final. A senhora destacaria as duas mais importantes?
EC - As leis que recentemente aprovamos foram todas de suma importância, muitas delas históricas. Mas não posso deixar de mencionar, nesse momento, as leis que valorizaram e que deram o piso para os professores. Que valorizaram categorias que estavam morrendo. Por exemplo, os guardas auxiliares: eles estavam respirando talvez o último suspiro para continuar, sem condição, mas para não perder o pouquinho que tinham. Eu acho que essas leis foram fundamentais. E teve a questão do taxista de lotação também, que foi uma categoria que sofreu muito e viveu muita polêmica. Muita polêmica porque acompanhei aquela caminhada desses trabalhadores que atuavam sob tensão o tempo todo. Hoje eles estão sendo regularizados legalmente pela prefeita Emília, que tem esse olhar positivo, com certeza, para isso. Então são leis muito importantes e relevantes.

JLPolítica & Negócio - Qual é o paralelo entre o mandato de vereadora com o de prefeita?
EC - Tem toda a conexão do mundo. Digo que eu não seria, talvez, a prefeita que sou se eu não tivesse passado pela Câmara. Se eu não tivesse passado pelo Legislativo. Eu não seria essa prefeita, porque eu conheço o funcionamento daquela Casa, e aquela Casa está conectada diretamente com o Executivo. É quando a Constituição fala da independência e da harmonia: a independência, porque são dois poderes mesmo, e a harmonia, porque se você quiser fazer entregas para o povo, você vai ter que se harmonizar com a Casa Parlamentar, pois, senão, você não vai fazer as coisas acontecerem.

JLPolítica & Negócio - Para além do cargo formal de secretário, qual é a importância de ter o pastor Itamar Bezerra, seu marido, ao seu lado na gestão?
EC - Eu diria que é de uma importância imensurável. Porque, primeiro, tem a questão da confiança plena na pessoa. Não é só o fato de ele ser meu marido - podia ser apenas um marido e não ia conectar comigo. É o preparo, é o equilíbrio, é o saber lidar com o outro e lidar com a confiança. Principalmente hoje tenho certeza de que todos os gestores vão se identificar com o que eu vou dizer agora: o que todo gestor mais quer, independentemente do que ele gerencie, são pessoas leais e pessoas de confiança. 

JLPolítica & Negócio - O “eu” dos seus gestores e os atos deles respingam na senhora.
EC - É exatamente isso. Se eu tenho uma pessoa altamente preparada tecnicamente, mas se ela não for leal ou se não for de confiança, não vai dar. De pouco valeu. Isso certamente nos levaria a uma decadência e à destruição dos resultados.

Emília Corrêa, enquanto prefeita, vai às obras e ver de perto o rumo das coisas

O PESO DA DISCRIMINAÇÃO POR SER MULHER
“A gente sente na pele a discriminação e a falta de se acreditar que a mulher é capaz. Todo dia a gente tem que provar nossa capacidade. Embora a gente ouça muitos discursos de homens públicos que elevam a figura da mulher, mas na prática muitas vezes acabam com essa figura. Isso é muito visível”

JLPolítica & Negócio - Em que pé estão as discussões entre o governo da senhora e o de Fábio Mitidieri para a elaboração do projeto de reabilitação para valer do Centro da capital?  
EC - Estão bem. Já tivemos algumas reuniões com o governador, com a equipe técnica dele e com a nossa equipe, para que a gente esteja somando forças para fazer acontecer a revitalização em nome do centro vivo que a gente tanto quer. Ele tem projetos ali nos quais temos sido parceiros e nós temos projetos em que ele tem sido parceiro. Deve ser essa a relação entre gestores - têm que ser assim porque Aracaju é a capital de Sergipe. Aracaju é Sergipe. Essa conexão de parceria com certeza avança muito. Aracaju ganha e o centro vai ganhar muito com isso.

JLPolítica & Negócio - E está para acontecer quando, prefeita, essa intervenção e essa mudança mais profunda?
EC - Na verdade, ela já começou a acontecer através da minha gestão: toda a limpeza, a pavimentação daquelas ruas que eram todas esburacadas e desniveladas, a retirada e a limpeza dos fios, já estão ocorrendo. As feiras da Praça Tobias Barreto, que geraram autonomia para as famílias, e muitas outras coisas. A feira do Centro é impressionante. A gente limpou calçadas no sentido de gerar mobilidade e fluidez no trânsito - pois parava tudo, o que era ruim para eles e era ruim para a cidade. Mas a gente não mexeu naquilo simplesmente retirando ou jogando eles fora. A gente agiu a partir de uma escuta. Ouvimos, dialogamos, criamos um espaço digno e aí houve a transferência – e vai haver outras transferências. Então já começou a transformação do Centro. Mas os projetos ligados ao Governo do Estado já são projetos mais elaborados que demandam tempo e acredito que em 2026 já se iniciam algumas coisas nesse sentido.

JLPolítica & Negócio - Politicamente falando, como foi a sua interlocução Fábio Mitidieri nestes 12 meses?
EC - Republicana. Foi bastante republicana. Eu tenho meu grupo político e isso não vai mudar. Meu grupo político existe e é forte. É precisa entender que é forte ainda que todo grupo político tenha divergências. O do governador tem as suas, o meu grupo também tem, mas é importante que isso recaia como uma consciência e como uma separação: gestão é gestão, política é política, e a gente caminha assim.

JLPolítica & Negócio - Qual é o verdadeiro papel de Edivan Amorim no seu Governo?
EC - Tem que contextualizar: Edivan foi presidente do PL, partido em que eu me criei e me elegi prefeita. Ele foi uma figura importante na caminhada política, na caminhada da eleição e com certeza isso frutificou. Mas eu sempre digo, não só a ele, mas a todos: a eleição da Emília não foi coisa de homens nem somente de mulheres. Foi coisa de Deus e do povo. Deus moveu o povo, e os políticos que se somaram foram instrumentos. Foram instrumentos, mas já estava determinado no céu: isso aí é a minha fé.

Emília Corrêa admite que a relação institucional com o governador Fábio Mitidieri tem sido republicana

O PODER DE UMA MULHER É DE TODAS
“Não tenho dúvida de que uma mulher à frente da gestão vai sentir melhor a dor de todas as mulheres. Quando uma mulher assume um poder, todas as demais assumem juntas. Todas estão devidamente representadas. É como se elas se sentassem na mesma cadeira que eu me sento”

JLPolítica & Negócio - A senhora bate continência para Deus e o povo?
EC - Para Deus eu bato continência. Ele é a minha referência, minha vida e meu tudo. E para o povo, a minha gratidão. Minha gratidão a quem entendeu o movimento de Deus. E isso me deu muita responsabilidade: eu assumi uma responsabilidade imensa e estou focada nela. Mas quem me trouxe aqui para a Prefeitura com certeza foi Deus e o povo, e minha gratidão a todos os instrumentos, homens e mulheres, que se somaram aí.

JLPolítica & Negócio - A troca do PL pelo Republicanos, em que altera o seu curso político?
EC - Praticamente em nada. Eu vou lhe dizer porque: eu tenho uma maneira de pensar e de sentir a política de forma diferente. Política para mim não é simplesmente a partidária. A política partidária para mim é um veículo, um meio que você precisa para participar das eleições. Para mim, o que interessa é a política pública e, aí não interessa direita, esquerda, centro, oeste ou leste. Nada, entende? Valem os bons resultados.

JLPolítica & Negócio - Quem deve ser o candidato do seu agrupamento ao Governo do Estado ano que vem?
EC - Essa vai ser uma decisão que o grupo vai tomar. Com certeza, nós temos excelentes nomes aí para concorrer ao governo e eu espero que a gente chegue nesse consenso agora no início do ano.

JLPolítica & Negócio - Hoje a senhora não tem um nome?
EC - Hoje eu não tenho “o” nome definido. Mas temos nomes.

Emília Corrêa, com a mãe Orlete Corrêa, a avó materna Maria Pureza e a filha de Lara na infância

DA IMPORTÂNCIA DE TER ITAMAR BEZERRA POR PERTO
“Eu diria que é de uma importância imensurável. Porque, primeiro, tem a questão da confiança plena na pessoa. Não é só o fato de ele ser meu marido - podia ser apenas um marido e não ia conectar comigo. É o preparo, é o equilíbrio, é o saber lidar com o outro e lidar com a confiança”

JLPolítica & Negócio - A senhora citaria alguns?
EC - Eu sempre cito. Valmir de Francisquinho é um excelente nome. Tem o André David, que é também um excelente nome, assim como o de Thiago de Joaldo. E quem sabe o nome da Emília! Não sei. Vamos discutir isso em grupo. É a força do grupo que conta.

JLPolítica & Negócio - A senhora acha que “o povo e Deus aprovariam” que a prefeita de Aracaju disputasse o Governo do Estado em 2026?
EC - Eu não tenho isso no meu coração. Aliás, nunca quis ser prefeita. Nunca quis ser governadora. Nunca quis ser política partidária. Eu sempre fui uma agente política. O povo também, com certeza, vai dizer isso. Mas no meu coração, hoje tenho que dizer isso, como dizia antes: no meu coração não tinha interesse em ser prefeita e foi Deus, aí é a minha fé, acredite quem quiser. Foi Deus que moveu meu coração. Essa crítica acontece e para mim é natural: no meu coração não está o desejo de que eu saia para disputar o Governo. No meu coração, hoje é isso o que sinto. Eu preciso sentir, de verdade, se é esse o caminho. Mas o importante é que nós temos bons nomes.

JLPolítica & Negócio - Mas a senhora e Valmir de Francisquinho já fumaram o cachimbo da paz?
EC - Eu tenho fumado esse cachimbo da paz o tempo todo - eu nunca fumei foi de outro cachimbo. E acredito que o Valmir também não. Acho que está acontecendo alguma coisa que não estou compreendendo, mas a gente vai ter conversas por esses dias. Agora em janeiro o grupo vai se reunir para conversar e a gente vai entender o que está acontecendo.

JLPolítica & Negócio - A senhora não segregou Valmir e o grupo dele da formação do seu governo? Não o deixou de fora?
EC – Não: veja, eu estive com o Valmir algumas vezes. Estive com ele e o Valmir esteve na minha casa. Eu estive em Itabaiana com o Valmir, nós conversamos na casa dele e publicamente eu fiz um pronunciamento de gratidão pelo que ele caminhou aqui em Aracaju na fase eleitoral. Estive com o Valmir na Prefeitura.

Emília Corrêa e Itamar Corrêa Bezerra: nele, ela encontra conforto de marido e confiança de gestor

ESTADO E PREFEITURA UNIDOS POR UM NOVO CENTRO
Já tivemos algumas reuniões com o governador, com a equipe técnica dele e com a nossa equipe, para que a gente esteja somando forças para fazer acontecer a revitalização em nome do centro vivo que a gente tanto quer. Ele tem projetos ali nos quais temos sido parceiros e nós temos projetos em que ele tem sido parceiro”

JLPolítica & Negócio - E por que a senhora não recepcionou o Adailton Sousa como secretário?
EC - Aí é que está: estive com o Adailton também. Eu convidei o Adailton aqui na Prefeitura. Tive um momento com ele e em nenhum instante ele disse para mim que tinha desejo de ser secretário. Conversei com ele sobre isso e ele disse que estava bem lá em Itabaiana como secretário. Tem coisas que se espalham que não são reais, mas a gente entende por que isso acontece. As coisas ganham essa dimensão e às vezes a gente pensa que tem algo por trás disso, algum projeto que a gente desconhece ou, talvez, uma maldade política. Não interessa o que seja. A gente tem que trabalhar.

JLPolítica & Negócio - Eduardo Amorim deve ser um dos seus dois candidatos ao Senado em 2026. Há condições de Rodrigo Valadares vir a ser o segundo?
EC - O Eduardo Amorim faz parte do grupo e hoje é pré-candidato ao Senado. O Rodrigo também faz parte. A gente precisa, na verdade, é amadurecer tudo isso agora. Conversar em grupo, amadurecer tudo isso e bater o martelo. Porque, veja bem: quando se trata de um grupo, você renuncia a algo para poder aderir a um projeto maior. A ideia é essa. Então vai precisar haver uma sentada aí com todo o grupo para a gente bater o martelo.

JLPolítica & Negócio - A senhora tem fomentado as CPIs que aparecem na Câmara de Aracaju focadas na gestão de Edvaldo Nogueira?
EC - Não tenho fomentado e isso tem acontecido por iniciativa dos próprios vereadores mesmo. Mas acho muito importante que tudo seja revelado. Portanto, não sou contra a CPI não. A CPI é um instrumento constitucional importante de elucidação e de clareza, desde que siga realmente como deve ser, sem direcionamentos, focando na elucidação de fatos, de documentos e de tudo o que for necessário. 

JLPolítica & Negócio - E se uma dessas comissões se voltar contra o seu governo, o que a senhora diria?
EC - Eu diria que é um direito do Parlamento. Agora, o que me preocupa, pelo que prezo é por isenção. Que seja feita com isenção para todos, seja lá para quem for.

Os pais de Emília com os filhos Paulo, colado ao pai em pé, João, Emília e Isolina com a irmã caçula Aline Corrêa ao braço - Isolino já faleceu

UMA ELEIÇÃO DECIDIDA PELOS CÉUS
“Eu sempre digo a todos: a eleição da Emília não foi coisa de homens nem somente de mulheres. Foi coisa de Deus e do povo. Deus moveu o povo, e os políticos que se somaram foram instrumentos. Foram instrumentos, mas já estava determinado no céu: isso aí é a minha fé”

JLPolítica & Negócio - Como é que a senhora avalia a condução do Legislativo de Aracaju pelo vereador Ricardo Vasconcelos?
EC - Eu tenho visto e acompanhado bem. O Ricardo Vasconcelos tem conduzido a Câmara e o Legislativo de uma forma muito coletiva até, envolvendo todas as bancadas, todos os vereadores. Eu acho isso muito importante, porque o Parlamento precisa de gente que conduza a coisa para todos os vereadores e, consequentemente, para os interesses do povo em geral. E óbvio que interesse do povo passa pelo Executivo, então essa harmonia é muito importante, e a gente teve isso durante o ano de 2025, graças a Deus.

JLPolítica & Negócio - Dói na senhora a oposição que o vereador Elber Batalha lhe faz na Câmara?
EC - Foi uma escolha dele. Mas não entendo isso muito bem, porque ele me é um colega defensor público e colega vereador, inclusive de bancada de oposição. Ele era situação de Edvaldo, depois virou oposição e agora virou-se uma coisa contra mim de modo que eu não sei de onde vem. Não sei de onde partiu tudo isso. Ele precisa, de repente, fazer uma análise com ele mesmo, porque o meu relacionamento com ele sempre foi muito bom.

JLPolítica & Negócio - A senhora acha que a oposição dele é intempestiva?
EC – Ele disse para mim uma vez que eu cheguei a ser prefeita porque bati em Edvaldo todo dia. Então ele ia bater em mim para quê? Mas são histórias diferentes. Então vejo aí um sentimento mal resolvido dentro do Elber. Um sentimento mal resolvido dentro dele e somente ele pode responder por isso.

JLPolítica & Negócio - Há mais culpa da senhora ou de Ricardo Marques, seu vice, pelo rompimento precoce entre vocês dois?
EC - E há culpas? Eu acho que existem condutas e não uma culpa isoladamente. Existem condutas de desvirtuamento do que vêm a ser os papéis muito bem definidos dentro do Executivo, entende! É isso que tem de ser muito bem compreendido por todos. Eu digo que não vai mudar o fato de termos sido eleitos eu prefeita e ele vice - foi o povo que fez isso e isso não muda. Isso vai se manter. Agora, sobre as condutas só quem sabe realmente é quem está perto.

Emília Corrêa num instante de posse como vereadora eleita de Aracaju

“NO MEU CORAÇÃO NÃO ESTÁ O DESEJO DE DISPUTAR O GOVERNO”
“No meu coração não está o desejo de que eu saia para disputar o Governo. Aliás, nunca quis ser prefeita. Nunca quis ser governadora. Sempre fui uma agente política. O povo também vai dizer isso. Mas no meu coração, hoje tenho que dizer: não tinha interesse em ser prefeita e foi Deus, aí é a minha fé, acredite quem quiser”

JLPolítica & Negócio - Mas a senhora preferia tê-lo aqui no dia a dia junto da senhora?
EC - Ah, com certeza. Lógico! Quem é que não quer ter um vice aliado? Mas Ricardo tem que entender sobre hierarquia. Tem que entender sobre os papéis definidos do Executivo. Tem que entender que é a história da primeira mulher prefeita e que, talvez, se fosse o contrário, se fosse um homem, seria muito bem compreendido. Talvez ele não tenha entendido essa questão da mulher ser a comandante desse processo. Enfim, é tudo isso junto e misturado.

JLPolítica & Negócio - A senhora não acha a sua comunicação pessoal pesada, de pulmão e diafragma muito altos?
EC - Eu entendo que essa é a minha natureza. Eu venho de uma formação do Tribunal do Júri, que é uma formação de muito combate, de muito debate e embate, onde a comunicação não é mesmo leve. Eu venho da Câmara, que também exige uma comunicação forte, e isso chamou atenção. Mas insisto na tese: chama muito mais atenção, não tenha dúvida disso, o fato de eu sou a mulher. Há uma segregação de gênero, sem dúvida. Eu já vi homens gritando, se esbaforido, e todo mundo admirando: “Ah, como ele é corajoso! Como ele é valente”. Em síntese, nesse modo tem muito da minha natureza, de tudo que eu caminhei até aqui. Um comparativo: em casa, no meu dia a dia, com meus filhos e com meu marido, às vezes eu vou defender uma pauta em casa conversando. Meus filhos diziam: “Mãe, menos! Você não está no Tribunal do Júri não!”. Nisso eu estava em casa. Mas quem me vê de longe poderá pensar que eu estava brigando. 

Emília Corrêa: “Não suporto ouvir falar sobre desvios ou corrupções, e se acontecer na minha gestão, vou adotar providências reais”

FUMANDO O CACHIMBO DA PAZ COM VALMIR
“Tenho fumado esse cachimbo da paz o tempo todo - nunca fumei foi de outro cachimbo. E acredito que o Valmir também não. Acho que está acontecendo alguma coisa que não estou compreendendo, mas a gente vai ter conversas por esses dias”

JLPolítica & Negócio - A senhora tem medo de desvios ou de corrupções? 
EC - Eu não suporto ouvir falar sobre desvios ou corrupções, e se acontecer na minha gestão - espero que não aconteça, porque gestão é uma coisa muito ampla -, vou adotar providências reais. Tenha certeza de que, no meu controle pessoal de gestora diretamente, um real não será desviado.

JLPolítica & Negócio - Por fim, que marcas pessoais a senhora quer deixar no dia 31 de dezembro de 2028?
EC - Quero deixar uma marca de trabalho, de uma mulher trabalhadora e de mulher de fé. Essa é a marca que pretendo construir. E vou conseguir!

Olha aí a confraria dos sete Corrêa agrupado em clã lagartense
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Artemio Barreto
Li toda a entrevista, detendo-me principalmente no que concerne ao meus irmão Luiz Antônio Barreto. Agradeço, mais uma vez a Prefeita Emília Correia, pela grande homenagem prestada ao jornalista, escritor, educador, folclorista e guardião gratuito da cultura sergipana. Registro que foi a primeira e única manifestação elevada de reconhecimento do Poder Público a quem dedicou sua vida a memória do seu povo. Espero que o Estado de Sergipe venha a somar-se a Prefetura de Aracaju, pelo muito que lhe é devido.