
Kitty Lima: “Eu não sou uma oportunista da causa animal”
“Eu sou a causa animal desde sempre, e ela está no meu coração”
9/5/2026-14hA bacharela em Direito Kitty Lima, 37 anos, é caso raro de uma pessoa pública que acessou mandatos eletivos em importantes casas legislativas brasileiras a partir de uma militância da causa animal. Da defesa de animais gerais, mas sobretudo dos urbanos mais populares, como cães e gatos.
Ela se fez caso incomum no país e única em Sergipe. Em três eleições, Kitty Lima foi credora de 38.101 votos de sergipanos e aracajuanos, que lhe deram um mandato de vereadora da capital, lá em 2016, e um mandato e meio de deputada estadual, obtidos em 2018 e 2022.
Kitty Lima exorbita em militância, e certamente veio daí este montão de sufrágios a lhe propiciar os três mandatos - ela está deputada estadual - e, de quebra, o comando da primeira Superintendência de Proteção Animal criada por um Governo de Sergipe e que teve a ela como superintendente até o final de 2024.
E tudo em Kitty Lima é feito de uma maneira muito orgânica e passional. “Eu estou na causa do meu coração desde criança. Eu não abracei esta causa porque ela está num momento bom. Eu sou a causa animal desde sempre, e ela está no meu coração”, avisa. Mantém de há muito a ONG Anjos, especializada em reabilitação animal.
Para quem tem dúvida da sua organicidade nessa causa - e tem quem tenha dúvida sim -, Kitty Lima vai direto na jugular. “Eu não sou um oportunista da causa animal, como muitos o são. Esse ano você pode ter certeza de que vai ter muita gente se dizendo dessa causa. Eu já vi alguns cartazes aí de pré-candidatos dizendo que fizeram pela causa. Mas nunca pisaram nem mesmo num abrigo”, diz ela.
Aliás, ao olhar para si e para a origem da sua militância pró-animal, Kitty Lima não faz concessão e vê isso na sua raiz mais primitiva. “Na verdade, já nasci ativista da causa animal! Eu com 5 ou 6 anos, nessa média, em um jantar em família minha mãe fez uma brincadeira de que era o frango, a galinha, ali que tinham sido mortos. Aí eu entendi, eu criança, que tinha que matar os animais pra gente comer. Eu chorei de imediato e fiz uma promessa de que não queria nunca mais comer carne. E até hoje sou vegetariana. Desde a idade de 6 aninhos nunca mais comi carne nenhuma. Desde que eu chorei, parei”, relembra Kitty.
Em 2016, ele obteve 4.925 para um mandato de vereadora da capital. No meio dele, em 2018, surfou em 18.008 votos na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa e se fez deputada estadual. Mas em 2022, perdeu densidade com 2.840 votos a menos e não chegou lá. Ficou numa primeira suplência convertida em mandato a partir de 1º de janeiro de 2023 com a eleição no ano anterior do deputado estadual Samuel Carvalho para a Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro.
Desde então, Kitty acha que realiza um ótimo mandato de deputada estadual, vai em busca de uma reeleição e obviamente tem a causa animal como sua principal bandeira, achando que se tornou inclusive melhor do que fora em 2016, 2018 e 2022. Mas hoje ele incorpora o combate ao feminicídio como um plus a mais.
“Nunca estive numa fase tão boa como a que estou hoje. Em 2025, assim que voltei à Alese, foi praticamente um projeto da causa animal por mês. Foram 12. Não existiu ninguém na história de Sergipe, não sei nem se na do Brasil, que conseguiu uma aprovação com tanta frequência”, diz.
Priscila Lima da Costa Pinto nasceu em 26 de setembro de 1988, em Aracaju. Ela é filha de Lucilo da Costa Pinto Neto e de Antonina Oliveira de Lima.
É casada com Adriano Machado Bandeira, policial civil, e é mãe de Emanuel Lima Matias, 10 anos, e tem Ana Beatriz, filha do companheiro, como sua enteada.


Kitty tem formação acadêmica em Direito pela Universidade Tiradentes, dispõem do curso técnico de Rádio e TV, que ela aplica num programa de televisão, e para estar mais bem inserida na área animal, está cursando Medicina Veterinária no Estácio. Nas horas vagas, é atleta e leva a sério o Flag Football, pelo qual foi recentemente campeã do Nordeste.
“Abordei na tribuna recentemente o feminicídio, dizendo que está tendo um verdadeiro extermínio de mulheres. E está sim. Essa é outra pauta que desde que entrei como vereadora levo no meu coração, não só por ser mulher, mas por passar na pele também esse tipo de desconforto. Meu primeiro projeto aprovado foi de combate ao abuso sexual contra mulheres em transporte público”, diz Kitty, exibindo uma outra faceta para além da causa animal.
Pelo conjunto do que vai nela, a Entrevista com Kitty Lima está muito boa de ser lida.
SUPERINTENDÊNCIA DE PROTEÇÃO ANIMAL: DIVISOR DE ÁGUAS
“A melhor coisa da Superintendência de Proteção Animal existir foi, primeiro, quebrar aquela ideia de que animal não era importante. O governador Fábio convidou a então deputada ativista da causa animal Kitty Lima para compor a primeira pasta da história nesta área e a Superintendência foi um marco”
JLPolítica & Negócio - O que foi que a Superintendência de Proteção Animal da antiga Semac ajudou no seu olhar sobre a questão animal em Sergipe?
Kitty Lima - A melhor coisa da Superintendência de Proteção Animal existir foi, primeiro, quebrar aquela ideia de que animal não era importante. O governador Fábio Mitidieri convidou a então deputada ativista da causa animal Kitty Lima, que não era do agrupamento dele, para compor a primeira pasta da história nesta área, e a Superintendência foi um marco, um divisor de águas. Nela eu pude executar o que eu tanto briguei na oposição e não conseguia, como ter o Castramóvel. Não conseguíamos ter as atividades nas escolas para as nossas crianças, para que no futuro elas respeitassem toda forma de vida, banco de ração que vai começar agora esse mês, e tantas e tantas outras coisas. A gente vai finalizar a aquisição do terreno para que tenha a primeira UPA Animal de atendimento gratuito. Tudo isso só foi possível pela existência da Superintendência e pelo governador Fabio Mitidieri ter dito, “olha Kitty, é sua área, sua expertise, e o que você achar que a gente tem que fazer, tem carta branca”. E essa carta branca, essa independência, me fez com que pudesse avançar muito.JLPolítica & Negócio - O tempo que a senhora passou por ali deu para comparar a sua anterior na militância na ONG Anjos?
KL - Na verdade, eu só botei ali o que eu vivi na ONG Anjos, porque no meu dia a dia sabia quais eram as necessidades, as doenças que a gente encontrava nos animais das ruas, a falta de castração, o que isso causava de dano à sociedade, como a falta de controle populacional e de zoonoses. Tudo isso que eu vivi e que ainda vivo no dia a dia - não deixei de ser ativista e porque sou deputada e continuo resgatando -, me fez colocar em prática com a Superintendência.JLPolítica & Negócio - A Superintendência permanece ou ela sofreu crise com a sua saída?
KL - Ela permanece muito ativa sob a coordenação da Christy Monteiro, que também é uma ativista animal, mas agora com o nome de Diretoria e pertencente à Secretaria de Estado da Saúde. Aliás, o meu único pedido para o Fábio, quando eu voltei a ser deputada, é que deixasse em meu lugar quem entende da causa. E ele aceitou.JLPolítica & Negócio - Como é que ficou a estrutura da ONG Anjos desde 2023 quando a senhora deixa o mandato de deputada estadual?
KL - Ficou bem. Eu continuei com o mesmo trabalho de ativista, porque quem gosta de animal e os resgata sabe o que eu vou dizer agora. A gente não consegue ir na rua, ver um animal precisando de ajuda e ficar sem fazer nada. Então, precisei continuar com esse trabalho da ONG. Ela é focada em reabilitação animal e hoje qual o grande problema de vários espaços por aí, pelo coração grande das pessoas? Começa a botar muito animal dentro e vira um acúmulo e um depósito deles. Na Anjos, a gente determinou que era só reabilitação. Chegou no número limite de animais por baia, a gente para ali, por mais que pudessem pedir 10 mil pessoas a gente dizia não, porque a gente não ia tirar o bem-estar dos animais que a gente já resgatou para superlotar e acabar todos sofrendo. A gente tem esse cuidado de só recuperar os animais na quantidade limite que a estrutura permite.

MESMO FORA DO MANDATO EM 2023, LUTA CONTINUOU
“Eu continuei com o mesmo trabalho de ativista, porque quem gosta de animal e os resgata sabe o que eu vou dizer agora. A gente não consegue ir na rua, ver um animal precisando de ajuda e ficar sem fazer nada”
JLPolítica & Negócio - No pico de ação da Anjos, ela chegou a ter quantos animais?
KL - A gente não ultrapassa 50 animais para reabilitar, para que todos tenham o bem-estar, tratamento veterinário e alimentação boa. Eu falo para toda a equipe que compõe a ONG que a gente só pode pegar aquilo para o qual a gente possa dar a melhor qualidade de vida. A gente sabe que depender de doações nem sempre é o ideal, porque as pessoas pedem para resgatar, mas às vezes não doam. E a gente tem que garantir que aquele animal tenha o tratamento.JLPolítica & Negócio - A cultura de maus-tratos aos animais tem piorado, atenuado ou estabilizou com o tempo?
KL - A impressão de piorar, eu imagino que se dê pela coragem das pessoas em denunciar mais. Houve um maior número de denúncias porque antigamente as pessoas não sabiam o que fazer, para onde denunciar e não sabiam que podiam fazer isso de forma anônima. Com as informações chegando, por ter alguém que represente a causa diariamente, tanto na TV, na tribuna de uma Casa Legislativa, no dia a dia dizendo denuncie, seja a voz deles, tem o canal anônimo 181, tem a delegacia que lhe recebe. É preciso que as pessoas saibam que agora a gente tem a Delegacia dos Animais que foi fruto do meu mandato. E quando a gente tem uma delegacia que acolhe, entende-se que a sua problemática é importante, e aí tudo flui. Antigamente muitos iam denunciar em uma delegacia e aquele delegado, por desconhecer a causa, dizia que tinha coisas mais importantes a cuidar, seja um homicídio, um roubo, de modo que a causa animal nunca foi dada importância. Com a Delegacia de Proteção Animal e Meio Ambiente - Depama -, tem ali pessoas que entendiam o sofrimento daquela pessoa e acolhiam.JLPolítica & Negócio - Qual é a agressão mais recorrente ao animal?
KL - Hoje é o abandono. A maioria das pessoas quer pegar um animal bonitinho, pequenininho, fofinho, mas quando ele cresce e a pessoa quer viajar, ir para isso e para aquilo, não tem com quem deixar e joga os animais nas ruas. É tanto que um dos meus projetos é o Dezembro Verde, que é do combate a esse abandono. E por que dezembro? Mês de férias. Por isso: as pessoas querem viajar, não têm o que fazer com os animais e jogam nas ruas.

MAIOR PROBLEMA É O DO ABANDONO DO ANIMAL
“A maioria das pessoas quer pegar um animal bonitinho, pequenininho, fofinho, mas quando ele cresce e a pessoa quer viajar, ir para isso e para aquilo, não tem com quem deixar e joga os animais nas ruas”
JLPolítica & Negócio - Qual é o seu conselho para alguém que desavisadamente quer adotar um animal?
KL - Todas as campanhas de adoção que fiz ou que foram diretamente da ONG Anjos, sempre converso e faço uma entrevista com a pessoa. Primeiro, pergunto se ela tem noção de que aquele animal será de pelo menos 15 anos ao seu lado. Não pode simplesmente achar que no primeiro desafio que tiver - uma chinela mordida, um lençol rasgado -, você simplesmente vai querer devolver para a ONG. Isso não é permitido. Isso é crime, inclusive. Então, depois que tenho certeza que a pessoa tem essa responsabilidade, e mais, que sabe que animal dá gasto – aí se decide. Não adianta achar que vai levar um cachorro para casa e que não vai gastar com vacina, com alimentação adequada, com veterinário quando estiver doente, com estrutura de dormir - porque um dos mandamentos da causa animal é livre de desconforto. Para você ter um animal, tem que garantir que ele tenha conforto, do mesmo modo que você quer dormir. Você pode até ter ele no quintal coberto, mas você bota um colchãozinho, uma estrutura, uma colcha mais grossinha para que ele não fique no chão duro, porque o animal também precisa de conforto.JLPolítica & Negócio - Desde quando nasce na senhora a luta em defesa animal até a fundação da ONG?
KL - Na verdade, eu já nasci ativista da causa animal! Eu com 5 ou 6 anos, nessa média, em um jantar em família minha mãe fez uma brincadeira de que era o frango, a galinha, ali que tinha sido mortos. Aí eu entendi, eu criança, que tinha que matar os animais pra gente comer. Eu chorei de imediato e fiz uma promessa de que não queria nunca mais comer carne. E até hoje eu sou vegetariana. Desde a idade de 6 aninhos nunca mais comi carne nenhuma. Desde que eu chorei, parei.JLPolítica & Negócio - O Poder Legislativo Estadual leva a sério a defesa da causa animal ou zomba disso?
KL - No meu início, zombaram e muito de mim. No meu primeiro dia como vereadora de Aracaju, quando entrei escutei latidos e miados. Houve também discussões de projetos quando eu estava no microfone, em apartes, parlamentares atrás de mim miando, latindo e fazendo piada: “Chegou a da causa auxílio-cachorro”, e esse desrespeito, como eu também não levo o desaforo para casa, reagi. Acho que com esse tempo o público já começou a entender quem é Kitty Lima. Eu ia para cima. Denunciava no microfone. Eu dizia: “Olha, não vou aceitar desrespeito aqui. A voz da mulher é importante. A causa animal é importante. Eu vou falar quando eu quiser. A minha causa também é importante”. E hoje, os mesmos que riam e zombavam, querem tirar foto com os cachorros e gatos e pedir voto por eles: veja como o mundo dá voltas. Quando cheguei na Alese, tive dificuldades também na aprovação dos meus projetos. Achavam que não eram importantes. Por exemplo, hoje a gente tem aprovado o projeto do fim dos fogos de artifícios com explosivos, do qual sou coautora, mas na época que tentei, ele foi arquivado porque alegaram que queria acabar com cultura junino e começaram a me criticar. Foram duras críticas, sendo que hoje os mesmos que criticaram aprovaram – e hoje todos sabem cientificamente que a explosão de fogos agride sobremaneira à sensibilidade de cães e gatos. Depois, não só aprovaram, como acharam justo, porque essa proteção envolve também autistas, idosos e enfermos. Muitos entenderam, enfim, que não é só a questão animal e “queriam” também esse público.

UMA CAUSA QUE JÁ SERVIU DE ZOMBARIA
“No meu início, zombaram e muito de mim. No meu primeiro dia como vereadora de Aracaju, quando entrei escutei latidos e miados. Houve também, em apartes, parlamentares atrás de mim miando, latindo e fazendo piada: “Chegou a da causa auxílio-cachorro””
JLPolítica & Negócio - Apesar da sua ONG ser de reabilitação, mas quanto por cento da presença de gatos e cães ocupa a ação das ONGs de um modo geral e da defesa animal?
KL - Eu diria que uns 90%. Hoje somente a ONG Aspa recebe animais de grande porte. As outras é para cães e gatos em prioridade. Também eles são animais majoritários. Mas na verdade os cavalos também precisam muito de atenção. Mas são poucos, comparados com cães e gatos. Mas ainda assim a gente está em busca de um grande santuário para estes animais grandes, porque eu ainda não desisti de acabar com práticas das carroças de tração animal. A gente tem avançado nisso. A gente tem esse projeto para ser discutido a qualquer momento a nível nacional. Independentemente de Sergipe aceitar ou não esse meu projeto, vai vir de cima para baixo. A gente está avançando bem na ideia de proteção a cavalos e burros. Nessa gestão da prefeita Emília Corrêa, eu relembrei. Até postei a época que ela votou sim com o meu projeto de fim das carroças. E eu perguntei a ela se ela ia mudar de opinião agora. A gente está no estágio de cadastro dos carroceiros de Aracaju. Porque quando eu souber quantos existem, eu consigo fazer a transição para outra profissão ou até entender cavalos de lata, que é a moto no lugar do cavalo. Enfim, a gente está avançando em Aracaju e dialogando por Sergipe afora. E, para isso, a nível nacional está bem avançado para também acabar de vez no Brasil todo com a tração animal nas carroças urbanas.JLPolítica & Negócio - O interior tem uma cultura de respeito aos animais ou a coisa ainda não chegou por lá?
KL - A coisa ainda não chegou lá como deveria. O nível de crueldade no interior está sendo muito maior. Por exemplo, recentemente mostrei um gato queimado vivo em Itabaianinha. A imagem deste fato numa câmera é bem triste. Ele passa correndo com o corpo todo em chamas até chegar à morte.JLPolítica & Negócio - Mas foi um gato de quebra-pote ou botaram fogo só por perversão?
KL - Botaram fogo normalmente - assim é o nível de crueldade e se não for parado agora, amanhã queimam uma criança e queimam um de nós, porque já é provado: quem faz com animais faz com pessoas. Isso já ficou bem claro na cabeça das pessoas de tanto que eu venho repetindo.

FOGO NO GATO POR PURA PERVERSÃO
“O nível de crueldade no interior está sendo muito maior. Por exemplo, recentemente mostrei um gato queimado vivo em Itabaianinha. A imagem deste fata numa câmera é bem triste. Ele passa correndo com o corpo todo em chamas até chegar à morte. Botaram fogo normalmente - assim é o nível de crueldade e se não for parado agora, amanhã queimam uma criança e um de nós”
JLPolítica & Negócio - A senhora tem uma justificativa plausível para a perda de 2.840 votos de deputada estadual entre as eleições de 2018 e 2022?
KL - Eu tenho algumas suspeitas. Uma coisa que está muito no meu coração é de que fui muito injustiçada naquele caso específico de Simão Dias. Na verdade, fui realmente convidada pela polícia local para identificar situações de maus-tratos animais. Antes de parar em Simão Dias, eu tinha estado em outras localidades. Como eram situações ajustáveis, a gente conseguiu resolver no diálogo. Só que o caso de Simão Dias foi muito chocante. A pessoa em questão não chegava a ser uma mulher idosa e tinha furado o olho de uma égua. Só que não era só isso. Entrei na casa dela junto com a polícia e vimos duas crianças, uma delas com as pernas queimadas e, segundo pessoas próximas, por essa mesma pessoa. Eram filhos dela. Dentro tinham três cachorros agonizando amarrados numa corda com uma tigela velha suja, com uma comida verde, de tanto tempo que estava ali, dura. Os animais eram só pele e osso. Estavam agonizando. Essa senhora tinha fugido. Ninguém conseguia encontrá-la. Eu estava me vendo acuada, desesperada, porque eu não conseguia salvar aqueles animais, já estavam morrendo - tanto que realmente foram a óbito. Eu tinha conseguido gravar tudo aquilo, mas infelizmente a oposição à época não mostrou o lado perverso da mulher. Pegou uns 10 segundos de mil falando para que ela estava cometendo crime, e falei mais duro. Mais alto mesmo, como a situação exigia.JLPolítica & Negócio - A senhora acha que foi vítima da mídia seletiva naquele caso?
KL - Acho. Porque o título e a imagem principal da notícia prevaleceram como se fosse uma brutalidade minha. Saiu no noticiário como se eu fosse preconceituosa com pessoas pobres, com mulheres com frágeis. Como se eu quisesse dar uma de delegada arbitrária - e não era nada disso. Enfim, foram várias versões deturpadas e quem não acompanhou a real situação daquilo tomou como verdade e ali muita gente deixou de acreditar nesse meu trabalho porque pintaram uma situação que não existia.JLPolítica & Negócio - A senhora obviamente vai para uma reeleição neste ano. Em 2018, a senhora vinha de uma plataforma de 4.925 votos de vereadora em Aracaju no ano de 2016. Em 2026, será mais difícil do que em 2018?
KL – Não. Eu acho que em 2026 eu estou muito mais tranquila. Porque meu nome já é algo concreto na cabeça das pessoas. Hoje não existe ninguém em Sergipe que fale de causa animal sem marcar Kitty Lima. Isso em todo o Estado. Não estou falando só de capital e da Grande Aracaju. E ainda mais agora que a gente conseguiu levar esse recado também através do Programa Conexão Animal, que mostra todo o trabalho que é importante com os animais, chegando no coração das pessoas e revelando sempre mais. Isso é uma realidade. O gestor público que não perceber isso vai ser fadado ao fracasso. Hoje casais jovens não querem mais ter filhos e querem ter animais adotados como filhos.

TRANQUILIDADE ELEITORAL EM 2026
“Em 2026 eu estou muito mais tranquila. Porque meu nome já é algo concreto na cabeça das pessoas. Hoje não existe ninguém em Sergipe que fale de causa animal sem marcar Kitty Lima. Isso em todo o Estado. Não estou falando só de capital e da Grande Aracaju”
JLPolítica & Negócio - Então senhora acha que a causa PET hoje tem um apelo maior do que tinha em 2018?
KL - Acho que três milhões de vezes maior. Não estou falando em relação à pessoas, em favorecimento de quem milita na área. Estou falando do amor das pessoas pelos animais. Isso aumentou. Por quê? Primeiro, a gente vive numa sociedade que passa o sentimento de que está doente e os animais estão salvando vidas. A quantidade de pessoas depressivas que saem disso porque um cachorrinho chegou em sua vida, um gatinho chegou e tirou ela desse caminho, é grande. Os animaizinhos estão salvando nossas vidas, e as pessoas estão enxergando isso.JLPolítica & Negócio - Eles viraram arrimo de família!
KL – Exatamente isso. Eles são a família. Vamos falar do aspecto jurídico da coisa: a família hoje é multiespécie, e isso é uma realidade. Ou seja, eles têm direitos e fazem parte da família. É claro que estamos cada vez mais avançando a nível legislativo. Eles hoje dominam mesmo. Hoje você vê o Brasil parar quando há notícia de um crime grave com animais. Veja o caso cão Orelha. Ali parou o Brasil. Gerou a Lei Orelha. O presidente Lula assinou decreto que vai poder ter multas até um R$ 1 milhão para quem maltratar animais. E não estou falando só de cão e gato. Quem bateu naquela Capivara na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, pagou R$ 20 mil cada um. Quando é que naquela época, em 2016, uma pessoa que batesse numa Capivara iria ser punida? E assim a gente vem avançando. E assim, eu estou na causa do meu coração desde criança. Eu não abracei esta causa porque ela está num momento bom. Eu sou a causa animal desde sempre, e ela está no meu coração. Eu não sou um oportunista da causa animal, como muitos o são. Esse ano você pode ter certeza de que vai ter muita gente se dizendo dessa causa. Eu já vi alguns cartazes aí de pré-candidatos dizendo que fizeram pela causa. Mas nunca pisaram nem mesmo num abrigo - meu Deus do céu.JLPolítica & Negócio - Por que a senhora escolheu o PSB, e houve alguma retaliação em virtude disso?
KL - Escolhi o PSB, primeiro, pela conjuntura e pela recepção que eu tive. É um partido que, primeiro, respeita a minha história. Respeita a figura feminina. Porque a gente sabe que hoje tem partidos que usam a mulher como uma escada para eleger homens. O PSB é um partido que entendeu a força que tenho e respeitou a minha história. Ele não está preocupado com o coeficiente de mulher. E mais: as pessoas que estavam compondo esse partido também são algo que me deixam um pouco mais tranquila no sentido de que vai ser uma batalha massa e justa. Por que? Porque ninguém ali está se desrespeitando. Eu não preciso citar, mas a gente sabe que vai ter partidos aí em que vai estar um prejudicando o outro. Puxando o tapete do outro. Aqui no PSB a gente vai ter todo mundo olhando um para o outro, e a gente já teve essa conversa, e dizendo que vença o melhor. Cada um faz seu trabalho justo sem precisar prejudicar ninguém dentro do PSB. E vamos correr trecho.

DO BEM-ESTAR QUE VEM DO PSB
“O PSB é um partido que entendeu a força que tenho e respeitou a minha história. Ele não está preocupado com o coeficiente de mulher. E mais: as pessoas que estavam compondo esse partido também são algo que me deixam um pouco mais tranquila no sentido de que vai ser uma batalha massa e justa. Por que? Porque ninguém ali está se desrespeitando.
JLPolítica & Negócio - E de que forma a retaliação se deu?
KL - Existia um outro convite também do MDB, que é do senador Alessandro Vieira, que não deixou de ser, nem vai deixar de ser meu candidato, mas que quem está coordenando a campanha dele é o prefeito Samuel Carvalho, de Socorro. Quando passou a ser prefeito, eu entrei na vaga dele na Alese, ele disse que precisava dar atenção à causa animal em sua cidade. E me disse: “Me ajude a criar a primeira Secretaria dos Animais, que não tem em seu município”. E criou. E disse em entrevistas que a permanência nas Secretarias do Governo dele, não só na do Animal, em todas, se daria pelo trabalho. O Adriano Bandeira, que é o meu marido, estava fazendo um trabalho espetacular nesta Secretaria. Por quê? Porque tinha a referência da causa animal ao meu lado. Adriano era o secretário e tinha a especialista da causa do lado, que o orientou. Todos os projetos dali eles pegaram das referências do que criei. Até para bancar mesmo a estrutura, eu tive que fazer por grande parte do tempo porque era uma pasta criada do zero. Não tinha orçamento.JLPolítica & Negócio – Mas a sua ida para o PSB puniu Adriano?
KL - A minha escolha pelo PSB fez com que o prefeito exonerasse Adriano. Ou seja, foi uma decisão política e não levou em conta o trabalho que todos reconheceram.JLPolítica & Negócio - A senhora não é uma deputada de ter prefeituras e prefeitos a tiracolos. De que modo se dará a sua campanha em busca de votos?
KL - É até engraçado isso: a gente teve uma reunião recente com toda a bancada e aí os deputados falavam “ah, eu estou com as prefeituras tais”, e eu ali calada e pensando: “Meu Deus do céu, eu não tenho nenhuma, porque eu venho de causa específica”. Veja: para quem conhece minha história, sabe que cheguei até aqui com muito suor e trabalho, com reconhecimento. Eu não tive apadrinhamento. Não tive ninguém grandão que botou a mão em minhas cabeça e disse “eu vou bancar você e você vai chegar lá”. Não. Cheguei com suor, com votos gratuitos, e eu tenho muito orgulho disso. E é assim que vai ser em 2026. E aí falando com todo carinho e não desrespeitando ninguém: não me enxergo tendo que vender carro, vender casa, vender isso e aquilo, tomando empréstimo, chamando agiota pra ter dinheiro para despejar em campanha. Se eu tiver que ganhar e tiver que ter estrutura, o partido me ajude. Ou quem quiser me ajudar. Os amigos me ajudem, porque, claro, você precisa ter estrutura. Não adianta fingir que você sem estrutura ganha. Ganhei lá em 2016 a gente está em outro cenário. Pode ter certeza. Ali em 2016 eu ganhei sem gastar nada. Em 2018 também. Mas agora é outro momento e vou precisar de ajuda de todos que confiarem no meu trabalho.

VOTOS SEM DEPENDÊNCIA DO PODER FINANCEIRO
“Para quem conhece minha história, sabe que cheguei até aqui com muito suor e trabalho, com reconhecimento. Eu não tive apadrinhamento. Não tive ninguém grandão que botou a mão em minhas cabeça e disse “eu vou bancar você e você vai chegar lá”. Cheguei com suor, com votos gratuitos, e tenho muito orgulho disso”
JLPolítica & Negócio - Qual é o seu conceito do Governo feito até agora por Fábio Mitidieri?
KL - Eu estou muito feliz com o Governo Fábio Mitidieri e é por isso que eu estou na situação. E claro, brincando um pouquinho, todo mundo sabe que eu tenho sangue de oposição. Está no meu sangue brigar. Mas sabe por que eu estou feliz e porque sou governista? Eu falo de coração, de boca cheia: porque tudo que Fábio sentou lá e disse para a então menina que era do grupo contrário dele – “olha, reconheço você, reconheço o seu trabalho, estou te convidando para a primeira pasta do Estado da causa animal e não pode ser outro nome senão o seu. Você é causa animal” - ele cumpriu. Cumpriu com tudo.JLPolítica & Negócio - Por que a senhora acha que ele merece ser reeleito?
KL - Exatamente pelo trabalho que vem fazendo. E não só na causa animal. Posso falar sobre a causa animal, porque é a minha área, mas não tem um dia, como vice-líder dele, que eu não suba à tribuna para falar dos avanços na assistência social, na saúde, na educação, na segurança pública. Veja o meio ambiente: é uma coisa nunca vista antes. Eu não lembro com tanta facilidade do Governo João Alves, mas como todos sabem que foi um governo histórico, somo com os que acham que Fábio é uma versão, no meu ver, melhorada de João. E aí, gente, não tem como a gente não reconhecer isso. É só você ver os números, né?JLPolítica & Negócio - Quais receios a senhora guarda de Sergipe ter Valmir de Francisquinho como governador?
KL - Não tenho convivência com Valmir, mas posso falar do que eu vejo hoje o governador Fábio Mitidieri fazendo. Agora, enquanto eu estou dando entrevista para você ele está inaugurando algo, está para lá e para cá. Ele viaja e não para. Eu, às vezes, já conversei com ele e ponderei: “Governador, como é que você está aguentando? Você não para um minuto”. Ele às vezes não tem tempo nem para comer, nem para tomar café. Não tem como não ver a eficácia dele. Agora, posso falar da minha causa em relação à Itabaiana. Eu fui recentemente à Itabaiana e fiquei realmente assustada com o grande número de animais nas ruas e o quanto a população vem reclamando da falta de assistência animal ali. E esta é uma fala construtiva. Inclusive me coloquei à disposição do próprio prefeito para mandar emendas e ajudá-lo a construir condições. Mas se a causa animal em Itabaiana não está como deveria e poderia estar, já que tem um bom Centro Animal lá e que os demais municípios não têm – mas ali perdeu-se o controle, superlotou, virou um depósito de animais. Se está assim no município, eu imagino como não estaria no Estado. Sob Fábio, Sergipe está conseguindo deixar a causa animal avançada. Imagine que inclusive vai começar o OperaPet esse mês.

MUITOS PROJETOS PELA CAUSA ANIMAL
“Nunca estive numa fase tão boa como a que estou hoje. Em 2025, assim que voltei à Alese, foi praticamente um projeto da causa animal por mês. Foram 12. Não existiu ninguém na história de Sergipe, não sei nem se na do Brasil, que conseguiu uma aprovação com tanta frequência”
JLPolítica & Negócio - Que tipo de ação o seu atual mandato, na sucessão de Samuel Carvalho, projetou nesses quase dois anos?
KL -Eu nunca estive numa fase tão boa como a que eu estou hoje. Em 2025, assim que eu voltei à Alese, foi praticamente um projeto da causa animal por mês. Foram 12 projetos. Não existiu ninguém na história de Sergipe, não sei nem se na do Brasil, que conseguiu uma aprovação com tanta frequência. Não estou falando de projeto de estadual disso e daquilo. Estou falando de projeto grande. Uns exemplos: a gente conseguiu a proibição de Cargos em Comissão para quem tiver condenação em trânsito e julgado por maus tratos animais. Esses caras aí, agressores de animais e de mulheres também – porque isso vale para mulheres também - estão aí ganhando CC, dinheirinho, fácil em outros lugares! Aqui a gente moralizou Sergipe e depois disso outros Estados estão copiando a gente. Então a gente está sendo referência no Brasil. A gente conseguiu a quebra das correntes. Hoje, se a gente perceber alguém cruel que sai de manhã, só chega de noite e deixa um animal acorrentado, fazendo xixi e fezes onde dorme, por estar acorrentado, também vai pagar multas altíssimas, junto com processo penal. A gente conseguiu também a proibição de manter animais presos nos carros. Muitos vão fazer mercadinho, deixam o animal trancado no calor retado, aí quando volta o animal pode estar até morto. Já aconteceram mortes assim. De modo que temos vários projetos que foram realmente de encher o peito e de dizer, “poxa, a gente avançou”. E foi graças a essa minha volta, porque quando eu fiquei na Superintendência, a causa animal morreu na Alese.JLPolítica & Negócio - A senhora se deu por contente por sua ação de vice-líder do Governo neste período?
KL - Demais. Fico feliz demais, porque já me vi em situações que antes não conseguia ser uma ponte de conversa entre a população com o Governo do Estado, não necessariamente somente ao governo. Por exemplo, eu levei recentemente para a Secretaria de Estado da Administração, da Lucivanda Rodrigues, um grupo dos profissionais de educação física para mostrar a importância do profissional inserido na saúde. Ou seja, a gente vai conseguir economizar nossos cofres públicos se a gente tiver profissionais bem de saúde, tiver pacientes bem de saúde. Então, a gente conseguiu fazer coisas incríveis, porque hoje eu sou vice-líder, criando pontes, conseguindo ser escutada. Antigamente, com antigos governadores, eu não conseguia nem ser ouvida, quanto mais levar a população para ser ouvida. Então é muito bom.JLPolítica & Negócio - Que espaço a pandemia de feminicídio encontrou na grade deste segundo mandato?
KL - Essa é outra pauta que desde que eu entrei como vereadora levo no meu coração, não só por ser mulher, mas por passar na pele também esse tipo de desconforto. Meu primeiro projeto aprovado foi de combate ao abuso sexual contra mulheres em transporte público. Porque começa assim, no abuso, e vai aumentando para a agressão, até você ter a morte da mulher. Eu abordei na tribuna recentemente o feminicídio, dizendo que está tendo um verdadeiro extermínio de mulheres. E está sim. E a gente veio cobrar mais rigidez. Às vezes a gente tem a Lei Maria da Penha, mas sente que ela somente não está resolvendo. A mulher não está se sentindo segura somente com a Maria da Penha. E meu pedido foi justamente esse: enquanto parlamentar, e com meu mandato à disposição, para fazer uma rede funcionar. A mulher que sofre violência, precisa saber que se ela aceitar sair dessa situação vai ter onde se sustentar. Pra onde ir com seus filhos. Porque muitas continuam apanhando em casa até morrer. Por que vai para onde com o filho? Ela pensa primeiro no filho. Eu sou mulher, sou mãe, e já me vi em situações de agressão psicológica e me manter porque eu tinha meu filho.

COMBATE À PANDEMIA DE FEMINICÍDIO
“Essa é outra pauta que desde que eu entrei como vereadora levo no meu coração, não só por ser mulher, mas por passar na pele também esse tipo de desconforto. Meu primeiro projeto aprovado foi de combate ao abuso sexual contra mulheres em transporte público”
JLPolítica & Negócio - A senhora disse já ter vivido situações de agressão psicológica. Já sofreu violência doméstica?
KL - Já sofri violência doméstica e psicológica. E começo pela mais antiga. Um namorado que eu tinha, que inicialmente eu achava bonito os ciúmes dele - hoje eu entendo criticamente isso, mas na época adolescente apaixonada, eu ia treinar e ele aparecia na janela para olhar se tinha algum homem no treino. Eu ia num shopping com as amigas, ele aparecia para ver se eram amigas mesmo. E depois começou até a proibir sair com minhas amigas. Aí aconteceu uma situação limite: ele me convidou para uma festa numa casa de praia da família, e por ser casa de praia, lógico que eu botei um biquíni. E aí só porque um familiar dele chegou, ele me mandou gritando eu entrar e botar uma roupa. E aí eu fiquei tão envergonhada que eu queria ir embora. Pedi para ir embora. E no caminho de levar para casa, ele começou a aumentar ainda mais a voz e eu senti que esse homem ia me matar a qualquer momento. Então, eu tomei a iniciativa de, mesmo apaixonada, mandar ele embora.JLPolítica & Negócio - Adriano Bandeira guarda alguma simetria com o comportamento desse antigo namorado?
KL - De jeito nenhum. Adriano, meu Deus do céu, é totalmente diferente. Primeiro, claro, eu até brinco com ele: não estava acostumado com a mulher líder que eu sou. Ele, policial, tem aquela coisa de comando e aí chega uma mulher que é mais brava que ele. Então, está todo mundo bem. E ele entende que hoje a gente está lado a lado, crescendo juntos. E quando eu digo uma coisa, ele me segue.JLPolítica & Negócio - O que é mesmo o tal do Flag Football que a senhora pratica?
KL - É uma outra pauta que eu carrego no meu mandato. Todo mundo me reconhece pela causa animal, mas o esporte sempre fez parte da minha vida. Minha mãe é professora de Educação Física, então para eu não ficar perambulando na rua, como ela dava aula o dia todo, quando acabava a minha aula, eu ficava nos esportes. Foi basquete, futebol, handebol. Ela era professora de handebol também. Minha mãe foi até da seleção. Então, ela me botou para fazer muito handebol e eu fiquei boa de braço. E aí, eu me vi entrando no futebol americano. Só que o futebol americano é esporte caro. E as meninas do time feminino aqui tinham muita dificuldade em pagar passagens para ir para São Paulo, porque não tinha time no Nordeste. Aí conhecemos o Flag, que é parecido com o futebol americano. É um primo carnal. Só que em vez de pé e capacete, aquele equipamento todo, é só botar umas flags ao lado do corpo, que é assim que você para a jogada, não derrubando. Flags são fitas grudadas ao corpo e a pessoa do outro time puxando parou a jogada. Então tem contato. Você se esbarra, se machuca. Eu estou toda roxinha aqui, mas gosto. Mas é um esporte com menos contato e a gente tem time no Nordeste todo.

UMA ADEPTA DO FLAG FOOTBALL, E COM PREMIAÇÃO
“É uma outra pauta que eu carrego no meu mandato. Todo mundo me reconhece pela causa animal, mas o esporte sempre fez parte da minha vida. E a deputada de vocês foi eleita a melhor jogadora do campeonato”
JLPolítica & Negócio - Como é que foi o seu desempenho em torno desta atividade no último final de semana em Bezerros, Pernambuco?
KL - Pois é, de tanto que a gente praticou aqui o flag e cresceu enquanto equipe, que começou a participar do Campeonato Brasileiro, e é esse que a gente participou agora no final de semana que passou, onde a gente está na primeira etapa Nordeste, e aí fomos campeãs. E a deputada de vocês foi eleita a melhor jogadora do campeonato, que é a famoso MVP geral. Fui o destaque do campeonato brasileiro, mesmo no meio desse turbilhão.JLPolítica & Negócio – Isso é ouro?
KL – Não. Ouro a gente já teve. É mais que ouro. O ouro foi para a equipe toda. A gente foi o melhor do campeonato. Vencemos todas as equipes do Nordeste. Mas, fora isso, eles selecionam as melhores jogadoras do campeonato. Eu fui uma delas. E foi time de todo o Nordeste. Dois dias e a gente foi ganhando a cada jogo e eliminando os times. E avançando.JLPolítica & Negócio - Qual é a próxima etapa?
KL - A gente só não sabe o mês ainda, mas vai ser a etapa dos campeões de cada região. Região Nordeste, somos as campeãs. E aí vamos ver quem foi o campeão de cada região e a gente vai se enfrentar com os melhores do Brasil. E estou pronta. Nasci para o esporte também e vou trazer cada vez mais medalhas de ouro para o nosso Estado, que merece.









