Aparte
Senador Rogério expõe falhas, omissões e contradições em relatório da CPI do Crime Organizado

Rogério: Esperava-se mais profundidade no relatório

Na tarde desta terça-feira, 14, o senador Rogério Carvalho - PT/SE - fez duras críticas ao relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira - MDB/SE -. O parecer foi rejeitado pela comissão por 6 votos a 4, em meio a questionamentos sobre sua consistência e coerência.

Durante a reunião, Rogério destacou uma série de contradições no relatório, que, segundo ele, comprometem a credibilidade do trabalho final da CPI e evidenciam falhas graves na condução das investigações.

Um dos principais pontos levantados foi a ausência de indiciamentos de nomes considerados centrais ao longo das apurações. O senador citou empresários como Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, além de autoridades do Banco Central, como Paulo Sérgio Neves de Souza, Belline Santana e o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto, sendo este último mencionado de forma superficial, sem análise de sua atuação.

Também foram apontadas omissões em relação a nomes ligados ao crime organizado, como Roberto Augusto Leme da Silva, Mohamad Hussein Mourad e João Falbo Carlos Mansur, além de agentes políticos que, segundo o senador, teriam sido “blindados” no relatório, como Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar.

Diante deste cenário, Rogério Carvalho chamou atenção para o fato de que, apesar de o relatório sugerir até mesmo uma intervenção federal no estado do Rio de Janeiro, não há responsabilização direta de agentes públicos citados ao longo das investigações. “Há uma evidente incoerência entre o diagnóstico apresentado e as conclusões do relatório”, afirmou.

Outro ponto destacado foi o conteúdo da página 65 do parecer, que lista beneficiários de transferências milionárias do Banco Master, incluindo figuras como Michel Temer, Henrique Meirelles, Antonio Rueda, ACM Neto e Ronaldo Bento, além de Fábio Wajngarten e empresas ligadas à família do governador Ratinho Júnior.

Segundo o senador, mesmo diante desses dados, não houve sequer recomendação de aprofundamento das investigações. Ele também ressaltou que o crescimento do banco ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que decisões do Banco Central teriam facilitado sua expansão.

Para Rogério, há ainda uma contradição estrutural no relatório ao concentrar os únicos indiciamentos em ministros do Supremo Tribunal Federal e no procurador-geral da República, com base em supostos crimes de responsabilidade. Ele criticou o fato de decisões judiciais terem sido tratadas como objeto de investigação, o que, segundo afirmou, fere o princípio da separação dos poderes.

O senador apontou, ainda, que parte desses indiciamentos se baseia em informações veiculadas pela imprensa, e não em provas documentais reunidas pela própria CPI. “Isso rompe com a lógica do controle legislativo e fragiliza juridicamente o relatório”, destacou.

Outro ponto classificado como grave foi a divulgação de informações incorretas sobre a Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção. Rogério reiterou que o relatório erra ao sugerir que a sanção presidencial ocorreu com vetos que enfraqueceriam o combate ao crime organizado. Segundo ele, o único veto relevante foi justamente para impedir a criminalização de movimentos sociais, mantendo o espírito da proposta original do governo.

Para além dessas inconsistências, o senador concluiu que o relatório “perdeu o foco central da CPI” e deixou lacunas importantes. “Quando se omitem nomes com indícios robustos e se priorizam teses frágeis, o resultado é um documento que não responde à sociedade”, criticou.

“Esperava-se mais profundidade, mais equilíbrio e mais compromisso com o enfrentamento real do crime organizado no Brasil”, finalizou.