Aparte
Opinião - Entre propaganda e realidade: a Itabaiana vendida por Valmir não resiste aos dados oficiais

Lucas Silva: esmiuçando sua visão sobre a gestão itabaianense

[*] Lucas Silva

Em recentes entrevistas, o ex-prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho tem demonstrado pouco apreço pela verdade. Ao falar sobre o crescimento populacional do município pelo qual se elegeu prefeito três vezes, ele distorce dados oficiais em busca de dividendos eleitorais.

Agora pré-candidato a governador, Valmir tem repetido, como quem ostenta um troféu, que Itabaiana “cresceu mais de 30 mil habitantes em apenas 12 anos”. O recorte, nada por acaso, coincide com suas duas gestões e a de Adailton Sousa, seu então secretário que o sucedeu na administração do município serrano em 2020.

Mas, ao invocar o IBGE para dar verniz técnico ao discurso eleitoreiro, Valmir acaba desmentido pela própria fonte. Considerando os dados mais recentes do órgão federal, atualizados até 2025, Itabaiana ganhou apenas 22,2 mil habitantes nos últimos 15 anos, muito menos do que ele alardeia e num período maior que o propagandeado.

No Censo de 2010, três anos antes do início de sua primeira gestão, o município registrava 86.967 habitantes. Em 2025, segundo estimativa oficial, chegou a 109.250, um crescimento de 25,6%. Nada de extraordinário, sobretudo se comparado a municípios menores, como demonstrado mais à frente. Entretanto, na retórica do ex-prefeito, a conta é esticada até chegar ao palanque.

Sem preocupação com a realidade, Valmir sugere que, sob sua batuta, Itabaiana teria se transformado num ímã populacional que atraiu “mais de 30 mil habitantes” seduzidos por uma suposta qualidade de vida exemplar. Mas seria isso mesmo?

A mesma base de dados usada por ele para promover suas gestões revela um cenário menos empolgante. Considerando os censos de 2010 e 2022 e a estimativa de 2025, Itabaiana aparece na penúltima posição entre os quatro municípios sergipanos com mais de 100 mil habitantes, à frente apenas de Lagarto.

No lapso temporal de que Valmir se vale para embalar a ideia do “sonho itabaianense”, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro - os demais municípios do mesmo porte, excluindo a capital - cresceram 28,3% e 26,8%, respectivamente, um detalhe convenientemente ignorado pelo ex-prefeito em suas apregoações.

Além disso, apesar de ocupar a terceira posição no PIB estadual, Itabaiana não atraiu nem de longe, nos últimos 15 anos, o contingente populacional que migrou para Barra dos Coqueiros. Nesse período, com crescimento de 66,2%, a Barra deixa bem para trás a Itabaiana superdimensionada no discurso do ex-prefeito.

No fim, a “Itabaiana Grande” vendida por Valmir está mais para peça de propaganda eleitoral do que para retrato fiel da realidade.

[*] É jornalista.