
Kitty Lima: de “auxílio-cachorro” a madrinha de uma causa
Os desafios de uma mulher em lugares de poder, e especialmente na política são imensos e isso todos nós sabemos. Quando ela assume um cargo de chefe de executivo, como prefeita, governadora ou presidente, os desafios são enormes, mas ela ainda detém o fator “chefe” para se impor.
Mas e quando o preconceito e os desafios veem dos seus pares, dos seus iguais e dos seus colegas de trabalho que foram eleitos para o mesmo cargo?
Numa eleição legislativa, os eleitos tendem a representar diversos segmentos da sociedade, os trabalhadores sindicais, a causa LGBT+, os evangélicos, os PCDs, os ribeirinhos, mas Kitty Lima chegou ao legislativo com uma ideia até então nova para os sergipanos: a causa animal.
“No meu início, zombaram e muito de mim. No meu primeiro dia como vereadora de Aracaju, quando entrei escutei latidos e miados”, diz ela.
Kitty Lima, a dona da Entrevista Domingueira do último domingo, 10, foi eleita vereadora de Aracaju em 2016 e deputada estadual de Sergipe em 2018. Em 2022 disputou a reeleição, ficou com a suplência pela qual assumiu a vaga em 2025.
A deputada conta que sofreu diversos tipos de estranhamentos e preconceitos no início da carreira política, mas que nunca se deixou levar por eles.
“Esse desrespeito, como eu também não levo o desaforo para casa, reagi. Ia para cima. Denunciava no microfone. Eu dizia: olha, não vou aceitar desrespeito aqui. A voz da mulher é importante. A causa animal é importante. Eu vou falar quando eu quiser. A minha causa também é importante”, afirma Kitty.
“Quando cheguei na Alese, tive dificuldades também na aprovação dos meus projetos. Achavam que não eram importantes. Por exemplo, hoje a gente tem aprovado o projeto do fim dos fogos de artifícios com explosivos, do qual sou coautora, mas na época que tentei, ele foi arquivado porque alegaram que queria acabar com cultura junina e começaram a me criticar”, relembra ela, estabelecendo um paralelo entre os últimos anos.
Agora, Kitty Lima parte para o sonho de um terceiro mandato e não nega que o desafio de ser uma pré-candidata sem o apoio de prefeituras lhe preocupou no início, mas que acredita que com o apoio do partido e da população, conseguirá a reeleição.
“A gente teve uma reunião recente com toda a bancada e aí os deputados falavam “ah, eu estou com as prefeituras tais”, e eu ali calada e pensando: “Meu Deus do céu, eu não tenho nenhuma, porque eu venho de causa específica, mas eu cheguei até aqui com muito suor e trabalho, com reconhecimento. Eu não tive apadrinhamento”, destaca.
“Não adianta fingir que você sem estrutura ganha. Ganhei lá em 2016, mas gente está em outro cenário. Pode ter certeza. Ali em 2016, ganhei sem gastar nada. Em 2018 também. Mas agora é outro momento e vou precisar de ajuda de todos que confiarem no meu trabalho”, conclui ela, convicta nas pontes construídas nos últimos anos.
A entrevista completa está disponível no Portal JLPolítica & Negócio.
















